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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Ó incomensurável valor do Cristão


O INCOMENSURÁVEL VALOR DO CRISTÃO

 


“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êxodo 19.5,6)



Inúmeras vezes, o mundo em que vivemos nos agregara um valor que não temos, tampouco merecemos e nos subtrairá o valor que temos e que de fato nos define. O valor que o mundo lhe atribui está ligado ao seu ter (dinheiro, influência, cargos, títulos, etc.). Dessa maneira, o seu valor estará relacionado ao valor de suas posses, por isso, quando mais valioso for aquilo que você tem mais honrado você será, todavia a diminuição do valor de suas posses acarretará uma desvalorização daquilo que você é. O mundo dá valor às pessoas pelo que elas podem oferecer. Por isso, crianças e velhos são tão negligenciados, porque não oferecem valor prático aos nossos tempos que se esqueceu da sabedoria e da ternura em nome da vantagem a qualquer custo.

Algumas igrejas, adeptas da teologia da prosperidade seguem esse fluxo maldito, porque ligam a intimidade com Deus aos bens materiais que Ele possa dar. De fato, o Senhor é o dono do ouro e da prata (Ageus 2.8), contudo não foi o Senhor que tentou oferecer dinheiro em troca de adoração, mas Satanás (Mateus 4.8-10).

O valor que temos para Deus não está em nós, muito menos naquilo que podemos Lhe oferecer, “pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam” (Isaías 64.6). Em certa ocasião, o Tenente nazista Rahms questiona Corrie sobre a eficácia de dar aula de Escola Dominical a crianças que sofriam de síndrome de Down, o biólogo ateus Richard Dawkins disse, recentemente, que era imoral dar à luz bebês com síndrome de Down[1] (disse o biólogo Sul-Africano: “aborte e tente de novo, é imoral trazer ‘isso’ ao mundo se você tiver escolha”). Tanto a Dawkins como ao Tenente Rahms a resposta de Corrie é pertinente: o valor do homem advém do fato dele ter sido criado a imagem e semelhança ao seu Criador (Gênesis 1.26). Essa imagem não foi extinta de nosso coração, mas gravemente deteriorada, entretanto, por misericórdia e sem nenhum merecimento, o Senhor mandou Seu filho unigênito, Jesus Cristo, para restaurá-la nos eleitos pelo sangue da cruz do calvário. Entretanto esse valor, que temos em Jesus, o mundo quer subtrair fazendo muitos crer que é mentira, fábula infantil, um terrível engodo, etc.

Moisés, em Êxodo 19.5, mostra que somos tesouros para o Senhor. A palavra utilizada no hebraico é o termo segullah (סְגֻלָּה), que apesar de ser traduzido por “propriedade” na ARA e muitos dicionaristas seguem essa mesma tradução:

·         Schökel: propriedade, pertença, domínio, posse, acúmulo (tesouro);

·         Dicionário Teológico do Antigo Testamento: “o sentido básico desse substantivo é de propriedade particular ou de adquirir propriedade”;

·         Holladay: propriedade pessoal.

Segundo o comentarista Delitzsch, segullah seria melhor traduzido por “tesouro” pois é utilizado com essa denotação em 1Crônicas 29.3 e Eclesiastes 2.8, assim como não significa apenas propriedade, mas uma posse valiosa. Entendamos que diferente dos tesouros mundanos, que existem para agregar valor aos seus possuidores. Quando o Espírito Santo nos chama de tesouros de Deus ou propriedades exclusivas do Senhor, isso não quer dizer que atribuamos qualquer dignidade a Ele, mas é o fato de pertencermos a Ele que nos faz valiosos. Assim como tintas e telas ou argila são objetos de pouquíssimo valor até serem utilizados pelo artista que pode transformá-los em obras de arte de valor incalculável. Quando pertencemos ao Senhor e somos transformados por Ele (ou seja temos sua imagem restaurada em nós por meio de Jesus Cristo) passamos a ter um valor incalculável.

Contudo, para sermos esse tesouro particular, precisamos diligentemente ouvir a voz do Senhor e guardarmos sua aliança. A ideia não é que precisamos fazer algo para pertencermos a Deus, porque a salvação não se dá pelas obras para que ninguém possa contar vantagem diante do Senhor (Efésios 2.8-10), mas única e exclusivamente pela graça. Não fomos nós que nos dirigimos a Cristo, mas fomos arrastados como cadáveres por Deus a Seu Filho Jesus Cristo que nos vivificou (João 6.44 e Efésios 2.1-7).

A Bíblia afirma que não há um justo sequer (Romanos 3.12; Salmo 14.1-3; Salmo 53.1-3). O nosso valor está no fato de que éramos material de refugo, que deveríamos ser jogados fora (irmos para o inferno), mas o Senhor nos resgatou em Jesus (Gálatas 4.5: o verbo resgatar utilizado aqui exagorazo [ἐξαγοράζω] que significa comprar um escravo para si próprio).

A magnífica estátua de Davi do pintos, escultor, poeta e arquiteto Michelangelo di Ludovico Buonarroti (1475-1594) foi esculpida em bloco de mármore que há quarenta anos estava abandonado. Talvez você esteja se sentido abandonado e vazio, mas saiba se Michelangelo fez de um mármore abandonada a estátua mais vista dos últimos 512 anos. Deus, o Criador, fará algo esplêndido na sua vida. Você pode argumentar que sua vida não tem mais jeito, mas a Palavra diz que Jesus faz novas (restaura) todas as coisas (Apocalípse 21.5). Lembre-se de que Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1Coríntios 1.27-29).

Portanto não somos feitos tesouros porque ouvimos a voz de Deus e guardamos a sua lei, mas, porque ele nos fez seu tesouro pessoal nos deleitamos em ouvir com toda atenção sua voz e guardarmos sua aliança. Contudo o mundo jamais verá essa riqueza, mas tão somente o Senhor e aqueles que ele chamar para esse mesmo fim. Jesus afirma: “aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz [...] Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.” (João 10.2-4).

Deus escolheu um povo, apesar de ser Senhor de toda a terra, esses lhe são além de tesouro, mas também, reino de sacerdotes, porque têm em Cristo livre acesso a ele, assim como, nação santa. É interessante que o Autor inspirado ao invés de usar o palavra hebraica am (עַם), que frequentemente é utilizada ao povo judeu, mas o termo gôy (גּוֹי), utilizada com mais frequência aos gentios, aqueles que não faziam parte da nação judaica, mostrando que esse povo santo, separado não era de uma nação específica, mas de todas as línguas, povo e nações (Veja Salmo 117 e Filipenses 2.11).

Saiba que o seu valor não está inerente em você e nas suas forçar, mas naquilo que Deus tem feito em sua vida.



[1] http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/08/1504047-richard-dawkins-diz-ser-imoral-dar-a-luz-a-bebes-com-sindrome-de-down.shtml. Acessado no dia 9 de agosto de 2016 às 13h37.

Segurando a pedrinha


Segurando a pedrinha




“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Deuteronômio 29.29).



Existem momentos em sua vida que lhe deixam em xeque? A perda de uma pessoa querida, uma grave doença se abatendo sobre a família, uma demissão injusta ou amigos traíram sua confiança? Eventos como esses, muitas vezes, pegam-no desprevenidos e costumam nos retirar o chão está sob os nossos pés. Inúmeras pessoas, nesses dias insólitos, se cristãos, somos tentados a questionar como Asafe, ao ver a prosperidade dos ímpios: “com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência?” (Salmo 73.13). Não são poucos os piedosos que nesse momento brigam com o Senhor, porque não conseguiram encontrar as respostas que suas almas ansiavam.

Quando nos detemos a perguntas que não possuem respostas, corremos o risco de ser presas fáceis do desânimo. O irmão André, pioneiro da Missão Portas Abertas, na sua juventude serviu ao exército e viu e praticou as atrocidades que destoavam do ambiente familiar firmado no evangelho. Ferido com um tiro no tornozelo e quebrado, física e espiritualmente, não sabia o porquê de toda aquela situação. Certo dia, em uma enfermaria na Indonésia, uma freira franciscana lhe contou uma história que mudou sua caminhada: naquela região os nativos caçavam micos de uma forma singular, colocavam uma pedrinha dentro de um coco por um buraco em que mal passava a pata do macaco, quando achava o coco e enfiava a patinha pelo buraco e ao segurava a pedra perdia toda a mobilidade que poderia salvá-lo. O problema é que esses macacos nunca largam a pedra e, por isso, são pegos com facilidade. Ao segurar essas perguntas, ao tentar responder indagações dessa magnitude, somos tal como esses micos que se tornam imóveis e, assim, vulneráveis.

O que devemos fazer quando estamos segurando essa pedrinha? Precisamos entender:

1. EXISTEM COISAS INCOMREENSÍVEIS

O termo סָתַר transmite a ideia de que existem coisas que foram escondidas. Dessa maneira, a Bíblia nos dá uma informação consoladora: não precisamos, tampouco conseguiremos entender todas as coisas, porque elas pertencem a Deus. O Reformador João Calvino entende que “não é lícito aos mortais ingerir-se nas coisas secretas de Deus” (CALVINO, João. As Intitutas da Religião Cristã, III, 21,3). Sabendo que somos limitados e propensos ao pecado, o nosso Criador nos priva da tarefa de respondermos todas as coisas, porque ele já tem das respostas e sabe como lidar com todos os problemas. Inevitavelmente e com indiscutível eficácia, o Senhor lidará facilmente até mesmo com as dificuldades mais insolúveis de sua vida.

José vivia tranquilo até o dia que em seus irmãos o jogaram na cisterna, depois o venderam para ismaelitas o venderam no Egito, ao capitão da guarda de Faraó chamado Potifar. Em seguia é assediado pela esposa desse oficial e acusado injustamente de estupro é lançado em uma prisão de segurança máxima. Consegue interpretar o sonho de copeiro de Faraó e pede que interceda junto ao Faraó, mas foi esquecido por dois anos. Para José, o porquê de seus irmãos o terem vendido, o motivo pelo qual foi preso e esquecido eram “coisas veladas que pertenciam ao SENHOR”.

Qualquer empenho em compreendê-las poderiam leva-lo ao desânimo, a adotar uma vida menos piedosa. Contudo houve um momento em que o Senhor agiu, não no tempo de José, tampouco segundo suas intenções, mas quando agiu o cárcere e a escravidão ficaram para traz, pois ascendeu para ser o segundo no Egito.

Dessa maneira, os irmãos de José e a esposa de Potifar planejaram lhe o mal, contudo, de antemão, Deus pensou-lhe o bem mesmo que o próprio José não soubesse disso. Portanto, quando sua vida for alvo de injusta opressão ou de adversidades inesperadas, saiba nossas vidas estão seguras nas mãos dAquele que fez todas as coisas.

2. EXISTEM COISAS COMPREENSÍVEIS

Enquanto não faltam aqueles que queiram conhecer os meandros mais escondidos do Senhor, assim como aqueles que diante das questões existenciais se afastam do reto caminho, Moisés deixa claro que existem coisas que podem ser conhecidas, ou seja, arquivo que foi revelado pelo Senhor. Pedro afirma: “que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca, jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pedro 1.20,21).

Se o povo que busca com toda avidez as profecias e maneiras sobrenaturais de conhecer a vontade de Deus, abrissem suas Bíblias e as lessem e estudassem, conheceriam Aquele que dizem adorar. Corrie Tem Boom, cristã holandesa, que foi presa com a maior parte de sua família por abrigarem judeus que fugiam da perseguição nazista, na prisão de Scheveningen foi interrogada pelo Tenente Rahms. Corrie, tal como Paulo diante do rei Agripa, tentou evangeliza-lo, mas é interpelada com uma dura pedrinha que teria que escolher segurar ou largar, pois seu pai centenário, um piedoso servo do Senhor sobrevivera apenas dez dias na prisão e morrera de uma doença que seria facilmente tratada em um hospital.

O Tenente ouvira que “o ponto de vista de Deus é, às vezes, tão diferente do nosso, que não poderíamos nem mesmo chegar perto dele, se Deus não tivesse dado um Livro no qual Ele nos diz tudo”. Depois de dias de interrogatório o Tenente a interpela com as seguintes questões: “Como é que a senhora ainda consegue acreditar em Deus? Que Deus é este que deixa um velhinho morrer aqui em Scheveningen?”. Corrie, porque conhecia a Revelação específica de Deus, a Bíblia, e sabia que todos ressuscitaram, inclusive o seu querido Pai.

Anos atrás, quando ainda era pequena fazia perguntas difíceis ao seu Pai que um dia lhe explicou da seguinte maneira: pediu que levasse sua mala por alguns instantes, ela estava muito pesada por relógios e ferramentas (ele era relojoeiro) e disse que seria um péssimo pai se exigisse que levasse aquele peso tamanho, mas, com o tempo, ficaria forte e poderia levar malas tão pesadas quanto aquela, por isso, por enquanto deveria confiar em seu pai para que carregasse o peso que lhe é insuportável.

Existem eventos dessa vida que são pesados demais, mas podemos confiar que o Senhor os carrega por nós. Contudo, enquanto nos amadurecemos em Cristo, precisamos reconhecer que as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos.

3. FIDELIDADE É O NOSSO OBJETIVO

Moisés mostra que nosso objetivo para com essa Palavra Revelada é reconhecer que dever observada por inteira, porque “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Timóteo, 3.16,17). Ela nunca perderá sua verdade, pois Jesus afirma: “passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mateus 14.35). Portanto devemos ser fieis em todo o tempo e a toda a Palavra.

Portanto, entendamos que o Senhor não nos obriga a carregarmos a mala dEle, mas Ele, em seu amor e misericórdia leva coordena todas as coisas, até mesmo aquilo que nos é extremamente difícil; a Palavra é uma realidade em nossas vidas e precisamos ser fieis a ela com integralmente e ininterruptamente.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Aviso aos perdidos


Aviso aos perdidos




Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós, povo do seu pasto e ovelhas de sua mão. Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração, como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto” (Salmo 95.6-8)



Vivemos dias maus, quando a oferta de pecado é maior que imaginamos. Quantas vezes vocês já se sentiu perdido entre tantos caminhos, tão diferentes e alguns com destinos que levam para tão longe da verdadeira felicidade que está em glorificar a Deus e se alegrar nEle para sempre. Àqueles que se encontram perdidos, esse versículo apresenta um caminho: “vinde”.

O mundo e suas ilusões nos convidam a ir, fugir de Deus. Mas o profeta Jonas sabe o quanto isso é impossível. Davi de maneira inspirada nos convida a vir. O único caminho seguro é aquele que está pavimentado sobre a Palavra de Deus e, por isso, conduz ao Senhor. Esse caminho é o próprio Jesus Cristo que disse: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Aqueles que andam por esse caminho não caminham cansados e sobrecarregados por causa do vão e pesado jugo mundano em suas falsas exigências, mas das cangas leves e suaves de Jesus.

Esse caminho implica em glorificar a Deus como ele quer ser glorificado (Romanos 1.21). Todos os homens querem ir a Deus, mas existem caminhos sem saída e que possuem horríveis perigos e fatais abismos. Não basta glorificarmos a Deus, mas o devemos fazer da maneira como ele quer, ou seja, nos moldes impostos pela Palavra. Veja o fim de Nadabe e Abiú, filhos de Arão, os quais foram fulminados por introduzir fogo estranho no templo. Dessa maneira vira o Senhor nosso Deus, que nos criou exige que o “adoremos, prostremos e nos ajoelhemos”.

Essa é uma atitude perigosa e impossível àqueles que não tiveram seus corações abertos pelo Espírito Santo, pois ou se recusarãoa fazê-lo como se isso fosse uma atitude sem sentido (lembre do rei Agripa, que pede para Paulo parar de pregar, porque não estava disposto a parar de pecar) ou perigosa, pois exercerão a mesma tarefa dos pagãos que adoram ídolos que não são nada (1Corintios 8.4). O profeta Habacuque diz: Que aproveita o ídolo, visto que o seu artífice o esculpiu? E a imagem de fundição, mestra de mentiras, para que o artífice confie na obra, fazendo ídolos mudos? Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum. O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Habacuque 2.18-20)

Há dois motivos pelos quais devemos vir a Deus e adorá-lo de maneira fiel: somos povo do seu pasto e ovelhas de sua mão. Enganamo-nos acreditando que somos inteiramente livres e que escrevemos, sozinhos, a nossa história, pertencemos ao Senhor, somos de seu pasto e isso faz dEle o nosso Pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas, porque somos ovelhas de sua mão, Ele é o Deus pessoal. Servimos ao Deus soberano que nos criou que fez o mar, assim como as profundezas da terra e as alturas dos montes (Salmo 95.5,6).

Essa é uma singularidade do cristianismo, em todas religiões espalhadas pelo mundo ora você verá um deus soberano, mas nada pessoal ou pessoal, mas nada soberano. Jesussubsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2.6-8).

Davi mostra que há um obstáculo para virmos a Deus cultuá-lo reconhecendo que ele é soberano e pessoal: a dureza de nosso coração. Veja que o salmo afirma que se hoje ouvirmos a sua voz. Como podemos ouvir a voz de Deus senão pelas Escrituras, pois Jesus afirma: “examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39). Essa voz pode ser ouvida hoje, ela não está apenas no passado, tampouco no futuro, mas todo aquele que estiver sob a luz do Espírito Santo pode encontrar na Bíblia a voz do Senhor para a sua vida. O ímpio poderá abria Palavra e entendê-la, até com maior destreza que o cristão, dependendo do seu grau de instrução, mas jamais a obedecerá, contudo até o mais humilde e inculto piedoso observará a verdade suficiente para a sua salvação nas páginas das Sagradas Escrituras. Veja o exemplo de Pedro e João, eram humildes pescadores, e os cultos homens do Sinédrio (Supremo Tribunal Federal de Jerusalém) reconheceram-lhes incultos e iletrados, mas viram que falam com coragem, porque estiveram com Jesus (Atos 4.13).

Assim como Jesus a Bíblia também é humana e divina ao mesmo tempo e, por isso, possui obstáculos humanos para sua maior compreensão (não daquilo que é suficiente para nossa salvação), pois foi escrita em uma língua diferente da nossa, para um contexto e uma cultura, também, diferentes daquela que vivemos, contudo existem obstáculos espirituais, naturais e morais. Somos naturalmente filhos da ira, radicalmente depravados e só a compreendemos como verdade, porque fmos vivificados por Jesus Cristo.

O Salmista exemplifica a dureza do coração, que nos impedem a vir de maneira adequada a Deus, pelo episódio de Meribá e Massá em Êxodo 17.1-7, quando, por falta de água, o povo murmurou e houve tal contenda que até o próprio Moisés perdeu o direito de entrar na terra prometida. As grandes provações acontecem no íntimo do cotidiano. Frquentemente, o Senhor nos convida a suportarmos diversas provações sem murmurar, mas nos alegrande. Os maiores obstáculos para a nossa comunhão com Deus se encontram em situações triviais, quando nos achamos lesados pelo Criadore e reinvindicamos uma justiça que não merecemos, ao invés de reconhecermos que todas as coisas (até mesmo as adversas) cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8.28).

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O Retorno Bendito


O retorno bendito

 



“Porque, se vós vos converterdes ao SENHOR, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos e tornarão a esta terra; porque o SENHOR, vosso Deus, é misericordioso e compassivo e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele” (2Crônicas 30.9)



Ezequias é o décimo segundo rei do Reino de Judá e começou a reinar com vinte e cinco anos em 716 a.C. e reinou vinte e nove anos. Fez o que era reto diante do Senhor nos moldes de Davi (2Cr 29.2). Contudo pegou o Reino em extrema crise, porque, Acaz – seu pai – ficara surdo aos apelos do profeta Isaías e se fizera idólatra fazendo sacrificando o próprio filho e introduziu culto a deuses estrangeiros, onde só Deus poderia ser adorado (2Crônicas 29.6-9). A ira de Deus faz com que muitos sejam exilados pelo arameus (2Crônicas 28.5-8) e edomitas (2Crônicas 29.17-19). Quando, por um tempo prolongado, fazemos ouvidos moucos à Palavra, o Senhor permite que sejamos duramente disciplinados por terríveis derrotas (no diferentes níveis de nossa vida) a fim de que nos arrependamos.

Outro problema que Ezequias precisava administrar era o avanço do Império Assírio, a quem seu pai havia se submetido, e que expandia-se subjugando os todas as forças opostas que estavam a sua frente. Como aconteceu ao Reino de Israel (Reino do Norte, formado pelas 10 tribos que seguiram no passado a liderança de Jeroboão rompendo como Roboão, filho de Salomão), que foi tomado pelo rei assírio Salmaneser V (reinou a assíria de 727-722) em 721 (2Reis 18.9-11). Mais do que um problema político as tribos do Norte “não obedeceram a voz do SENHOR, seu Deus; antes violaram a sua aliança e tudo quanto Moisés, servo do SENHOR, tinha ordenado; não o ouviram, nem o fizeram” (2Reis 18.12).

1. Nossa intimidade com Deus deve ser prioridade

O jovem Rei tem pessoas do seu império exiladas e um Reino forte e ambicioso no seu calcanhar, mas sua primeira providência como Rei está em abrir as portas da casa do SENHOR e as reparar (2Crônicas 29.3). Quantas vezes diante de problemas menos imperativos assumimos a postura contrária? Quantas vezes diante das contas ou problemas profissionais e familiares. Decidimos procurar nossos interesses em derimento aos de Deus, mesmo sabendo que praticar a vontade divina não trará benefícios a Deus (que continuará sendo Deus em sua majestade e glória independente da minha fidelidade), mas a nós mesmos?

Infinitas vezes, no curso de nossa existência aqui nesse mundo caído, empenhar-nos-emos em conquistar aquilo que haveremos de comer, beber e vestir mais ou às custas de “buscar o Reino de Deus e a Sua Justiça”, mesmo que haja a promessa de que sendo o Senhor o nosso Pastor tudo o que é essencial a nossa vida nos será dado. Salomão, no alto de sua sabedoria, inferior apenas a de Jesus, afirma: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeaste; aos seus amados, ele [o SENHOR] o dá enquanto dormem” (Salmo 127.2). Precisamos entender que é uma tolice trabalhar de sol a sol, muitas vezes privando nos do merecido descanso para ganhar nosso sustento se não confiarmos que ele vem do Senhor. Se o seu deu for sua força, suas mãos que lhe dão sustento quando elas caírem doentes e sua vitalidade se esvair quem lhe sustentará? Quem dará o pão a sua família? O mesmo Deus que fez chover o maná sobre o povo quarenta anos no deserto. O mesmo Jesus que por duas vezes multiplicou os pães provendo até mesmo onde o dinheiro não seria capaz de prover (Lucas 6.37). Essa realidade não nos convida ao descaso e ao ócio, pois a Bíblia valoriza e muito o trabalho (2Tessalonicenses 3.10), que não acabará nem no paraíso, mas ao conforto de saber que em última instância o meu sustento não vem de mim, mas do Senhor.

Nas horas de crise, quando somos tentados em confiar mais nas coisas desse mundo do que em Deus, A Palavra, por meio desse exemplo de Ezequias:

2. Há uma condição para nossa intimidade com Deus

Ezequias sabia que o seu povo estava distante de Deus, confiando em desuses que não podiam salvá-los. Portanto precisavam retornar para o Senhor que haviam deixado, contudo esse retorno precisava ser efetivo, visível, por isso, planeja a celebração da Páscoa, porque sabia que:

·         Não poderia realiza-la de qualquer jeito e, por isso, teria que eliminar os ídolos que Acaz, seu pai, havia colocado no templo (veja 2Crônicas 29.17-19);

·         Teria um contexto para se aproximar das tribos do Norte (veja 2Crônicas 30.1);

·         Seria uma oportunidade de recomeçar (Veja Êxodo 12.27; Deuteronômio 16.1);

·         Seria a maneira de evitar permanecer na ira de Deus (Êxodo 12.13,14;

Hebreus 10.19-25).

Quantas vezes observamos nossa vida revirada e afligidas por terríveis problemas, outrora caminhamos com Deus e até sentimos saudade dos hinos, do convívio sadio com os irmãos, recordamo-nos dos sermões que ouvimos outrora. Sabemos que algo tem que mudar. Como? O quê? Nossa relação com Deus. Vá a uma igreja fiel à Palavra (ou seja que pregue fielmente a Palavra, administre apenas os sacramentos que a Bíblia manda – batismo e ceia – assim como exerça disciplina segundo as Escrituras). Iludimo-nos acreditando que podemos buscar a Deus apenas em nossas orações pessoais. Contudo o Senhor deve ser cultuado publicamente no culto solene, em família no culto doméstico e individualmente em nossas devocionais.

Ir ou retornar a uma igreja fiel lhe dará um contexto para:

·         Purificar sua vida de tudo aquilo que não glorifica a Deus como amigos, vícios, lugares, etc;

·         Pedir perdão e reatar laços rompidos;

·         Começar do zero e iniciar um novo rol de amigos e práticas que edificam sua vida, sua família e, acima de tudo, glorificam a Deus;

·         Em Cristo, ter paz com Deus.

Antes de iniciar qualquer agenda diplomática, abre o templo e restaura as suas portas e está certo que isso trará os cativos de volta, porque se recordou da oração que Salomão fez na inauguração do templo pedindo ao Senhor que, se o povo pecasse e isso suscitasse a ira de Deus fazendo-os ir ao exílio, quando se arrependessem seriam trazidos de volta (1Reis 8.46-41).

Naturalmente, os inimigos os deixariam sair. Corrie Tem Boom (1892-1983) foi uma holandesa cristã, que, juntamente com sua família, refugiou judeus em sua casa quando eram perseguidos pela polícia nazista na ocupação da Holanda. Por esse crime ficou presa do dia 28 de fevereiro de 1944 até 1945. Passou por três campos de concentração sendo o último foi o temível Ravensbrück onde morreram 96.000 mulheres, anos depois, em 1959, descobriu que sua libertação se dera por um erro administrativo, uma semana depois de sua soltura todas as prisioneiras de sua idade foram mortas.

3. Deus tem adjetivos que endossam nosso retorno

Todos os nossos pecados são em última instância cometidos contra o próprio Senhor. Davi depois de ser advertido pelo profeta Natã sobre o pecado de matar Urias para encobrir o adultério com Bate Seba, afirma se dirigindo ao Senhor: “Pequei contra Ti, contra Ti somente” (Salmo 51.4a). Contudo devemos reconhecer que há dois adjetivos nesse versículo que que estamos meditando que endossam nosso retorno:

·         Gracioso: o Senhor é amigável para com seu povo, ou seja, está disposto a perdoar aqueles que se arrependem. Isaías afirma: “ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, eles se tornarão alvos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão brancos como a lã” (Isaías 1.18). Aqui vemos quatro objetos contrastantes: a escarlata (uma tintura muito intensa de um vermelho tão forte que pende para o laranja) e o carmesim que é uma cor vermelha brilhante. Essas cores representam a intensidade do pecado, mas a ação reparado de Jesus pode fazê-los brancos como a neve (a neve tem um branco tão intenso que se alpinistas não usarem óculos apropriados porem ficar cegos com o seu intenso brilho) ou a lã;

·         Misericordioso/Compassivo: diante do pecado dos nossos primeiros pais o Senhor não os elimina, mas promete o salvador (Gênesis 3.15).

Corrie Tem Boom depois de sua libertação se engajara em um trabalho de testemunhar o amor de Deus em sua vida dentro dos Campos de Concentração e como ela se sua irmã Betsie (que morrera na prisão) testemunharam com intrepidez o evangelho de Jesus Cristo no vale da sombra da morte. Em uma igreja em Munique encontrou um antigo oficial da SS (abreviação de Shutzstaffel, tropa de proteção, a tropa de elite do nazismo) que estivera diante do chuviro de triagem em Ravensbrück. Ele lhe estendeu a mão dizendo: “muito obrigado Dona Corrie. E apesar que, como a senhora disse: Ele (Jesus) apagou todos os nossos pecados!”. Ele ficou ali como a mão abaixada vendo sua mão estendida e se recordando das zombarias e humilhações que enfrentara até ali, mas, por fim estendeu-lhe a mão e sentiu uma experiência incrível: “logo que apertei sua mão, um fato incrível aconteceu. Uma espécie de corrente elétrica pareceu passar de mim para ele, brotando de meu ombro e descendo elo meu braço até ele, e, de meu coração, nasceu um amor tão grande por amor aquele homem, que quase me sufocou”.

3. Um retorno eficaz

O hebreu entendia que o Senhor desviava o rosto de nossa vida de pecado o Senhor desviava o rosto de suas vidas, segundo Calvino (refletindo Salmo 30.7) isso seria ser privado dos dons divinos, o que gera um momento de tribulação. A promessa nesse versículo é que nosso retorno ao Senhor motivada por uma mudança de vida temos uma salvação eficaz que não será arrancada de nós. Essa ida a Jesus não se dá por nossas motivações pessoais, ninguém vai a Jesus, porque é uma opção racional somos levados a Jesus de arrasto pelo Pai (João 6.44) e, por que essa salvação não depende de nós, mas de Cristo não pode ser arrancada de nós.

Jesus conta uma parábola sobre retorno em Lucas 15.11-32, na qual um filho pede ao Pai que lhe dê a herança que lhe cabe (o que equivalia dizer que o pai valia mais morto do que vivo). O moço tomou sua parte na fortuna e saiu para terras estrangeiras onde gastou o dinheiro com prodigalidade. Quando o dinheiro acabou as falsas amizades também não duraram e passando fome desejava comer a comida que se davam aos porcos, mas lhe negavam até mesmo isso. Caindo em si viu que os empregados de seu pai tinham pão em fartura e decidiu retornar, porque sabia que essa situação mudaria sua vida, contava com a graça e misericórdia de seu Pai que o acolheria e não o desprezaria.

Não importa qual seja nossa situação podemos contar com a mesma graça advinda do Senhor.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

UMA NOVA PERSPECTIVA PARA A DOR



Uma nova perspectiva para a dor



“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2 Coríntios 12.9)



Esse versículo mostra a resposta do Senhor ao Apóstolo Paulo, que, por três vezes, pedira que lhe fosse tirado o que chama de “espinho na carne”. Percebamos que, apesar da intimidade desse piedoso homem, a resposta ao seu pedido veio depois de duas tentativas em que encontrou apenas o silêncio. Essa mostra de perseverança do Escritor bíblico deve nos incentivar sempre mais e mais a uma persistência inabalável nesse tão precioso meio de graça, a oração. Deus, muitas vezes, demora-se em responder nossas orações para nos educar nessa santa firmeza e, em uma confiança, cada vez mais inquebrantável. Observemos que a resposta não foi satisfatória, pois nem sempre o Senhor responde sim à nossas petições, mas sempre segundo sua vontade soberana.

Desde muito tempo os comentaristas se debruçam sobre os versículos desse capítulo a fim de explicar que seria esse espinho na carne. Paulo nos afirma, em 2 Coríntios 12.7, que ele tinha um propósito: para que “não se exaltasse demais”, isso, porque, com certeza, Paulo é o homem que foi até o terceiro céu (veja 2 Coríntios 12.2), o que era equivalente ao próprio paraíso (veja 2Coríntios 12.4) e lá ouviu “palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”. Esse espinho é um mensageiro de Satanás encarregado de esbofeteá-lo, o que é uma severa penalidade até nos dias de hoje, o que fazia lembrando-o de suas fragilidades.

Essa experiência extraordinária aconteceu há quatorze anos, a contar de 56 d.C. (data em que essa carta foi escrita) isso equivale ao ano 42 d.C., quando, na segunda viagem missionária, anos depois de sua conversão, organizava igrejas na Síria e Cilícia (veja Atos 15.41 e Gálatas 1.21), contudo esse evento tão marcante aconteceu no silêncio de uma vida de intimidade com Deus, tampouco foi relatado, pois Lucas não mencionou nos Atos dos Apóstolos.

Atentemos para o fato de que, como em Jó, Satanás não está agindo fora, mas sob o controle do poder de Deus, porque o Diabo não é um cão raivoso e descontrolado, mas o Diabo subjudado pelo próprio Senhor que quer fazer seus intentos vis, mas, em última instância não consegue fazer fracassar os intentos do Criador de todas as coisas.

A palavra espinho (σκόλοψ skolops) utilizada aqui dá a ideia de algo sutil como o acúleo de uma rosa ou a ponta de um anzol e é usado no sentido figurado como acontece em Números 33.55, Ezequiel 28.24 e Oséias 2.8. Existem muitas sugestões para esse sofrimento alguns dizem que fora um problema de visão por causa de Gálatas 4.14,15, outros dizem que seja malária, lepra, reumatismo ou um problema de fala por causa de 2Coríntios 10.10; 11.6 ou inimigos devido a 2 Coríntios 11.13-15(KISTEMAKER, 2003, p.581). Contudo, ao meu ver, o mais provável é ligar esse sofrimento ao que ele se dispõe a se gloriar em 2 Coríntios 12.10: fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias por amor de Cristo. Essa se parece com a posição de Calvino, quando afirma: “entendo que essa frase significa a soma de todos os diferentes tipos de provações com que Paulo era atormentado” (2008, p. 299).

Talvez, você, caro leitor, diga: eu não sou angustiado, perseguido, necessitado, injuriado e enfraquecido, por causa de Cristo, contudo gostaria de convidá-lo a entender que você observe a somatória dos obstáculos que lhe têm esbofeteado e feito você entender que é miserável e totalmente necessitado de Deus. Esse é o seu espinho na carne. Talvez, semelhante a Paulo, você esteja querendo se livrar dele. Com certeza, nas suas orações você tem pedido que seja liberto desse terrível sofrimento e vergonha, mas Deus nos convida a uma nova perspectiva sobre o sofrimento:

1. Suficiência da graça no sofrimento

“A minha graça te é suficiente”

Conta-se que o filósofo grego Sócrates, passando pelo mercado, disse: “vejam de quantas coisas os atenienses precisam para viver”. Quando estamos fortes muitas vezes preenchemos nossa vida e prazeres com as diversas propostas advindas do mundo que nos circunda. Contudo, no oscilar de nossas forças quando os melhores prazeres da vida nos causam fastio e incômodo apenas a graça pode nos preencher. Na verdade essa sempre foi nossa única e maior carência, mas nos iludíamos com vaidades de saciedade temporária.

Ao lidarmos com nosso “espinho na carne”, somos convidados a repararmos como nos momento mais adversos somos assistidos pela graça vinda do próprio Deus e capaz encher nossas expectativas.

2. O sofrimento como ambiente propício para o desenvolvimento da graça

“porque a força/graça de aperfeiçoa no sofrimento/espinho na carne”

Deus passa a usar o termo força equivalente ao termo graça, assim como, fraqueza para se referir ao “espinho na carne”. Dessa maneira, responde a pergunta que fazemos, quando nas horas mais dolorosas sentimo-nos amparados por essa paz que excede todo entendimento, e nos perguntamos, porque nos momentos calmos da vida não a sentíamos com tanta vivacidade.

Aprendemos que, nos momentos em que o espinho está mais cravado em nossa vida e queremos que seja extraído, esse é o mais propício para essa graça que nos fortalece de desenvolva, se aperfeiçoe, porque aprendemos que o Reino de Deus não é para homens impávidos e autossuficientes, mas pessoas quebradas, que se reconhecem miseráveis e carentes dessa doce e imerecida graça.

3. Aproveitar o sofrimento

“portanto, gloriar-me-ei com maior prazer e maior grau nas minhas fraquezas (espinho na carne) com a intenção de que a força/graça permaneça sobre mim”

Nossa sociedade utilitarista, que visa minimizar a todo custo os sofrimentos e maximizar os prazeres, o homem tem medo de sofrer. Na sociedade das mídias sociais é proibido ficar triste. Entretanto o Senhor manda Paulo se gloriar com maior prazer e em maior grau desse espinho que estava experimentando e tão ávido de que lhe fosse tirado. Precisamos entender que não murmuramos diante das adversidades as tornarão apenas mais duras e longas, apenas quando compreendemos que os sofrimentos procedem do Senhor e são dados na medida exata, que ele, singular conhecedor de nós mesmos, nos dá, porque sabe que podemos suportar. Se encararmos o sofrimento como um doce aprendizado suas agruras serão mais leves e suportáveis.

Deveríamos, como Paulo, ter a mesma disposição em aceitar a resposta divina, mesmo que ela não seja aquela que intencionávamos quando começávamos a orar afirmando “por essa razão tenho prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias pelo nome de Cristo, porque, quando sou fraco, então sou forte” (2 Coríntios 12.10). Assim teremos uma vida mais íntima com Deus livres de ressentimentos que não se harmonizam com o reto ensino das Escrituras.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Os três cuidados ao procurar um pastor e uma igreja


Os três cuidados ao procurar um pastor e uma igreja
 "Disse, porém, Josafá: Não há, aqui, ainda algum profeta do Senhor, para que o consultemos? Respondeu o rei de Israel a Josafá; Há um ainda, porque podemos consultar o Senhor; porém eu o aborreço, porque nunca profetiza de mim o que é bom, mas somente o que é mau". (2Crônicas 18.6,7)

Caro leitor, gostaria de propor-lhe uma pergunta no início dessa reflexão: é saudável e seguro buscar um médico pelos mesmos critérios pelos quais eu busco um restaurante?
Obviamente, há semelhanças nessas procuras: procuramos um médico credenciado e especialista, assim como um restaurante higiênico e bem estabelecido. Contudo, você, também, percebeu o quão perigoso é esse critério, porque o melhor restaurante é aquele que melhor satisfaz os meus desejos, enquanto o melhor médico é aquele que da melhor maneira apresenta-me a minha doença e aponta o melhor tratamento possível. Imagine que tivéssemos médicos que não nos apresentem nossa doença, mas dissessem que tudo é normal, ou no mínimo comum, e que não precisamos nos preocupar com nada. Entende isso seria um caso de polícia.
1º cuidado: pastores seguidos por multidões não convertidas
O versículo proposto trabalha com um tema semelhante, pois nós deveríamos, deferente de Acabe, buscar igrejas e pastores (entenda semelhante a profeta) não com os critérios do prazer e do entretenimento (aqueles pelos quais buscamos restaurantes), mas pela responsabilidade de conhecer a verdade e ser liberto (aquele pelo qual buscamos bons médicos).
O melhor pastor e a melhor igreja são aqueles que apresentam o meu pecado pela fiel exposição da Palavra (1Cor 1.21), mostra-me o que equivalência na medicina a doença, ou seja, o pecado, a doença da alma, e leva-me a Jesus, que com o seu sangue derramado cura esse terrível problema, mas também apresenta-me a melhor recuperação, o Espírito Santo, que progressivamente, convence-me do meu pecado (e da constante influencia deste), assim como da justiça e do juízo de Deus (Jo 16.8).
Josafá (rei do Reino de Judá, Reino do Sul, capital Jerusalém) e Acabe (rei do Reino de Israel, Reino do Norte, capital Samaria) estão reunidos para lutar contra Ramote-Gileade (2 Crônicas 18.1-3) e, por causa dessa guerra, ambos estão consultando os profetas para certificarem se do êxito ou do fracasso dessa empreitada. Acabe é um rei que fez aquilo que era mau perante o Senhor (como todos os rei do Norte), mas com um agravante: “mais do que todos os que o antecederam” (1Reis 16.30), pois além de idólatra casou-se com uma mulher pagão, dos sidônios, servidora e adoradora de Baal, que perseguia e matava (sob o aval de Acabe) os profetas do Senhor. Ele busca quatrocentas profetas para auxiliá-los, que estão usando e profetizando o nome do Senhor. Veja, em 2Crônicas 18.10: “Zedequias, filho de Quenaaná, fez para si uns chifres de ferro, e disse: Assim diz o SENHOR: Com estes ferirás os sírios, até que sejam consumidos” (grifo meu). Perceba que Zedequias está usando a clássica expressão usada no Antigo Testamento para introduzir uma profecia (usada inclusive pelos profetas fiéis), assim como utiliza o termo Yavéh, o nome de Deus dado a Moisés.
Contudo Josafá, apesar das boas predições dos Profetas (2Crônicas 18.11), percebeu que eles não eram profetas do Senhor. Não basta usar o nome de Deus para legitimar tudo o que se falou. Existem igrejas midiáticas que, apesar de usarem o nome do Senhor pregam o que não está na Bíblia e segundo os seus corações pecaminosos. O profeta Jeremias, falando sobre os falsos profetas dos seus dias, afirma: “Dizem continuamente aos que desprezam a palavra do Senhor: Paz tereis; e a todo o que anda na teimosia do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós” (Jeremias 23.17) e “não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram” (Jeremias 23.21).
A nossa única regra de fé e prática é a Bíblia Sagrada, porque é inspirada (veio do próprio Deus), é inerrante (não contém erros), é plena (não tem nenhuma deficiência) e suficiente (tudo o que precisamos saber para nossa salvação e para termos reta vida com Deus está em suas páginas). Deus não se compromete com o pregador, mas com sua Palavra, por isso, quando o Pregador não fala a Palavra e não a aplica adequadamente ele se transforma em um falso profeta, tão perigoso como um falso médico. Os quatrocentos profetas de Acabe profetizavam sob um espírito de mentira (2Crônicas 18.22).
Perceba que para Acabe acreditava existir apenas um profeta do Senhor, assim como Elias se via como o último profeta do Senhor, mas existiam sete mil “todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou” (1Reis 19.18). Ainda hoje os profetas fiéis estarão sempre em numero inferior aquele dos falsos profetas, porque o Pregador fiel da Palavra não condiciona seu discurso ao que agradará seus ouvintes (assim como o médico não pode agir assim), mas ao Senhor. Veja em 2 Crônicas 18.12, o conselho do mensageiro de Acabe a Micaías, “eis que as palavras dos profetas, a uma voz, são favoráveis ao rei: seja, pois, também a tua palavra como a de um deles, e fala o que é bom” (2Crônicas 18.12), ouve a resposta “Assim como vive, o SENHOR, o que meu Deus me revelar, isso declararei” (2Crônicas 18.13). O mesmo acontece ainda hoje, pois Paulo diz a Timóteo: “chegará o tempo em que não suportarão o santo ensino; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, reunirão mestres para si” (2 Timôteo 4.3).
Cuidado, quando um pastor prega apenas prosperidade e não fala de pecado e santidade, não convida a mudar de vida. Portanto, cuidado com Profetas que são seguidos por multidões que não vivem a Palavra.
2º cuidado: pastores carismáticos, o livro não se compra pela capa
Acabe não gostava de Micaías por dois motivos: não profetiza coisas boas e todos os dias profetiza-lhe o mal. Obviamente, Acabe não poderia encontrar nenhuma Palavra agradável diante do Senhor, pois era mau, idólatra, casado com uma mulher que perseguia e matava mensageiros de Deus. O ímpio sempre encarará a Bíblia como um livro ingênuo, porque está sempre expondo-lhe o seu pecado e exortando a uma vida nova.
3º cuidado: o que conta não é o seu prazer na igreja, mas o pazer de Deus em sua vida
Assim como hospitais não foram feitos para serem colônias de férias (exceto Campos do Jordão), igrejas não foram feitas para o entretenimento, mas para oferecerem da melhor maneira o que importa: a exposição fiel da Palavra.
Existem muitos métodos para atrair pessoas a igreja. Existem até aqueles que se valem de propostas da propaganda e da vida empresarial. Querem pescar com rede, o que deve ser pescado com anzol. Ao se pescar com rede, fazendo arrastão se pesca muito, mas com pouca qualidade. O objetivo desse método é encher. Enquanto, com anzol visa atrair o peixe, pesca-lo, avalia-lo para depois coloca-lo no cesto.
A igreja não foi feita para o ímpio, mas para o ímpio convertido, que teve seu coração aberto pelo Espíriro santo e, por isso, busca a Deus. Josafá, ouvindo a constatação que Acabe fizera de Micaías exortou-o a não falar daquela maneira. A busca pela Palavra fiel será pequena, mas aqueles que a buscarem terão suas vidas transformadas.
Jesus, em João 6, depois de ter multiplicado os pães, é seguido por uma grande multidão, que querem apenas mais, pão, quando ele mostra que Ele é o pão da vida, maior que Moisés, porque quem comia dele, ou seja, o recebi como único e suficiente salvador não seria mais fome nem sede. Muitos se escandalizaram e deixaram de o seguir (João 6.66). O Mestre não mudou seu procedimento, mas olhou para os doze e disse: “quereis, também, vós outros retirar-vos?” (João 6.67), mas Pedro, como todos os leitos, respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna!” (João 6.68).

Portanto, cuidado se você busca uma igreja pela multidão que a procura, pela música que ela oferece, pelo carisma do pregador ou pelos supostos milagres que lá se realizam (vá a Apocalipse 13 e veja que Satanás pode fazer tudo isso e enganar aqueles que tais coisas procuram). Busque a Jesus somente e isso basta.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O inútil esforço de justiça




O inútil esforço de justiça

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5.1)

Um grande problema que existe entre o homem e a Bíblia está na maneira como nos vemos e como a ela, a revelação específica de Deus, nos vê. Iludimo-nos em acreditar que somos, de alguma maneira, bons e justos e que, de alguma forma, somos úteis para Deus. Enganamo-nos com o pensamento do filosofo francês Jean Jacque Rousseau (1712-1778) de que o homem nasceu bom, mas se tornou mau em contato com o mundo ai seu redor. É mera ingenuidade crer que o homem é mal em uma circunstância ou por algum tempo. Davi afirma no Salmo 51.5: eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”. Dessa maneira, o pecado não é um deslize imposto pela sociedade, tampouco uma tendência que adotamos quando crescemos. Assim como pequenas serpentes possuem tanto ou maior veneno que as adultas, até as crianças mais doces nascem mergulhadas no pecado que só poderão vencer pela graça sobrenatural de Jesus Cristo. Não há idade em que somos menos susceptíveis às investidas do mundo, pois, em cada idade, temos desafios diferentes, tampouco pecados fáceis.

Uma história que ilustra essa realidade é O Retrato de Dorian Gray do autor inglês Oscar Wilde (1854-1900). Nessa história, Dorian é um rapaz muito bonito que tem seu quadro pintado, mas, quando vê sua beleza no quadro pede para que o quadro envelheça, mas ele continue jovem. Entrega-se a uma vida de devassidão. Como pedido, o desenho registra toda a sua deterioração, por isso, o trancafia em um dos quartos de sua casa. Parte a fim de morar no campo e buscar uma vida de abnegação para ver se pelas boas obras poderia modificar a sinistra imagem de sua ama que o quadro lhe gritava. Depois de tempos mergulhado em conduta exemplar. Quando volta a sua casa e entra no quarto constata uma verdade difícil nenhuma boa disposição ou ação humana pode mudar o coração onde só Deus pode operar.

1.      Justificados

Existe um momento em que, como Dorian, constatamos o deplorável estado de nossa alma. Percebemo-nos injustos. Nessas horas, há somente duas atitudes possíveis: buscar nossa própria justiça ou nos entregarmos à justiça de outra pessoa. Segundo a Confissão de Westminster (XI.1) “a justificação não consiste em Deus infundir neles a justiça, mas em perdoar os seus pecados e em considerar e aceitar as suas pessoas como justas”. Portanto, podemos nos fiar em desculpas esfarrapadas, nas quais colocamos a culpa de nossos pecados nas circunstâncias ou na nossa pouca experiência? Obviamente, não.

O pecado é como uma conta, que só pode ser paga. Essa conta chamada pecado foi contraída por nossos primeiros pais no Éden quando comeram do fruto do conhecimento do bem e do mal. Paulo afirma que o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23). Dessa maneira, não temos condições de pagar essa dívida. Seria como se devêssemos a um rei o equivalente a 164.000 dias de trabalhos (contando sábados, domingos e feriados). Jamais pagaríamos sem morrer. Contudo Jesus, o único que poderia pagar esse débito em nosso lugar, porque é Deus e homem ao mesmo tempo, “Deus fez daquele que não tinha pecado algum a oferta por todos os nossos pecados, a fim de que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Cor 5.21).

Deus é justo e misericordioso. Não poderia nos perdoar sem corromper sua justiça, então, porque “amou o mundo de tal maneira deu seu Filho ao mundo para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). A ira de Deus que estava destinada a nós caiu sobre Jesus, por isso, o Pai se agradou em moer o próprio filho para que a sua posteridade tenha seus dias prolongados (Isaías 53.10).

O homem não é justo, não pode existir nenhum justo sequer (Romanos 3.10), mas ele é justificado nos méritos de Jesus Cristo e no seu sangue derramado na cruz do calvário. Esse é o aspecto negativo da justificação: Deus não leva em consideração os nossos pecados.

2.      Mediante a fé

A fé é “o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem” (Hebreus 11.1), assim como um dom de Deus aos eleitos (Efésios 2.8). A fé em Jesus Cristo é o único meio de alcançar a essa justiça, o fim dos débitos contraídos no Éden por nossos primeiros pais. Segundo a Confissão de Westminster “Esta fé é de diferentes graus, é fraca ou forte; pode ser muitas vezes e de muitos modos assaltada e enfraquecida, mas sempre alcança a vitória, atingindo em muitos a uma perfeita segurança em Cristo, que é não somente o autor, como também o consumador da fé” (XIV.3). Paulo mostra em Romanos 4 que Abraão creu e isso foi lhe imputado (foi declarado) como justiça (Romanos 4.3)

3.      Temos paz com Deus

Quem saboreou o doce gosto da paz? A paz que conhecemos é sempre um sonho que dura enquanto as pessoas recarregam suas armas. Um bem perecível a tantas oscilações internas e externas. O missionário indiano Sundar Singh, ainda no hinduísmo pagão de sua juventude, buscava esse bem tão raro. Procurou no Alcorão (livro sagrados dos Mulçumanos) e nos Vedas (livro sagrados do Hinduísmo), a qual encontrou apenas em Jesus Cristo como declarou: “caí ao seus pés e senti essa paz maravilhosa que não havia encontrado em outro lugar. Era essa a paz que eu buscava. Aquilo era o próprio céu. Quando me levantei, a visão tinha desaparecido, mas a paz e a alegria permaneceram comigo ara sempre”.

Esse é o aspecto positivo da justificação: ter paz com Deus. Nós éramos filhos da desobediência (Efésios 2.2), andávamos segundo os desejos de nossa carne (Efésios 2.3), “mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo pela graça sois salvos” (Efésios 2.4,5).

Estávamos correndo quais bandidos correndo do polícia. Um dia vimos que não adiantava mais correr por isso nos entregamos e a arma que nos ameaçava foi abaixada. Não adiante corrermos do Senhor, se continuarmos nessa trajetória seremos surpreendidos por um juiz a quem não se pode enganar, nem subornar, mas se nos rendermos ao seu amor infinito seremos novas criaturas imbuídas da paz inabalável, a paz com Deus. O contrário seria um inútil esforço de justiça.