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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O Retorno Bendito


O retorno bendito

 



“Porque, se vós vos converterdes ao SENHOR, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos e tornarão a esta terra; porque o SENHOR, vosso Deus, é misericordioso e compassivo e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele” (2Crônicas 30.9)



Ezequias é o décimo segundo rei do Reino de Judá e começou a reinar com vinte e cinco anos em 716 a.C. e reinou vinte e nove anos. Fez o que era reto diante do Senhor nos moldes de Davi (2Cr 29.2). Contudo pegou o Reino em extrema crise, porque, Acaz – seu pai – ficara surdo aos apelos do profeta Isaías e se fizera idólatra fazendo sacrificando o próprio filho e introduziu culto a deuses estrangeiros, onde só Deus poderia ser adorado (2Crônicas 29.6-9). A ira de Deus faz com que muitos sejam exilados pelo arameus (2Crônicas 28.5-8) e edomitas (2Crônicas 29.17-19). Quando, por um tempo prolongado, fazemos ouvidos moucos à Palavra, o Senhor permite que sejamos duramente disciplinados por terríveis derrotas (no diferentes níveis de nossa vida) a fim de que nos arrependamos.

Outro problema que Ezequias precisava administrar era o avanço do Império Assírio, a quem seu pai havia se submetido, e que expandia-se subjugando os todas as forças opostas que estavam a sua frente. Como aconteceu ao Reino de Israel (Reino do Norte, formado pelas 10 tribos que seguiram no passado a liderança de Jeroboão rompendo como Roboão, filho de Salomão), que foi tomado pelo rei assírio Salmaneser V (reinou a assíria de 727-722) em 721 (2Reis 18.9-11). Mais do que um problema político as tribos do Norte “não obedeceram a voz do SENHOR, seu Deus; antes violaram a sua aliança e tudo quanto Moisés, servo do SENHOR, tinha ordenado; não o ouviram, nem o fizeram” (2Reis 18.12).

1. Nossa intimidade com Deus deve ser prioridade

O jovem Rei tem pessoas do seu império exiladas e um Reino forte e ambicioso no seu calcanhar, mas sua primeira providência como Rei está em abrir as portas da casa do SENHOR e as reparar (2Crônicas 29.3). Quantas vezes diante de problemas menos imperativos assumimos a postura contrária? Quantas vezes diante das contas ou problemas profissionais e familiares. Decidimos procurar nossos interesses em derimento aos de Deus, mesmo sabendo que praticar a vontade divina não trará benefícios a Deus (que continuará sendo Deus em sua majestade e glória independente da minha fidelidade), mas a nós mesmos?

Infinitas vezes, no curso de nossa existência aqui nesse mundo caído, empenhar-nos-emos em conquistar aquilo que haveremos de comer, beber e vestir mais ou às custas de “buscar o Reino de Deus e a Sua Justiça”, mesmo que haja a promessa de que sendo o Senhor o nosso Pastor tudo o que é essencial a nossa vida nos será dado. Salomão, no alto de sua sabedoria, inferior apenas a de Jesus, afirma: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeaste; aos seus amados, ele [o SENHOR] o dá enquanto dormem” (Salmo 127.2). Precisamos entender que é uma tolice trabalhar de sol a sol, muitas vezes privando nos do merecido descanso para ganhar nosso sustento se não confiarmos que ele vem do Senhor. Se o seu deu for sua força, suas mãos que lhe dão sustento quando elas caírem doentes e sua vitalidade se esvair quem lhe sustentará? Quem dará o pão a sua família? O mesmo Deus que fez chover o maná sobre o povo quarenta anos no deserto. O mesmo Jesus que por duas vezes multiplicou os pães provendo até mesmo onde o dinheiro não seria capaz de prover (Lucas 6.37). Essa realidade não nos convida ao descaso e ao ócio, pois a Bíblia valoriza e muito o trabalho (2Tessalonicenses 3.10), que não acabará nem no paraíso, mas ao conforto de saber que em última instância o meu sustento não vem de mim, mas do Senhor.

Nas horas de crise, quando somos tentados em confiar mais nas coisas desse mundo do que em Deus, A Palavra, por meio desse exemplo de Ezequias:

2. Há uma condição para nossa intimidade com Deus

Ezequias sabia que o seu povo estava distante de Deus, confiando em desuses que não podiam salvá-los. Portanto precisavam retornar para o Senhor que haviam deixado, contudo esse retorno precisava ser efetivo, visível, por isso, planeja a celebração da Páscoa, porque sabia que:

·         Não poderia realiza-la de qualquer jeito e, por isso, teria que eliminar os ídolos que Acaz, seu pai, havia colocado no templo (veja 2Crônicas 29.17-19);

·         Teria um contexto para se aproximar das tribos do Norte (veja 2Crônicas 30.1);

·         Seria uma oportunidade de recomeçar (Veja Êxodo 12.27; Deuteronômio 16.1);

·         Seria a maneira de evitar permanecer na ira de Deus (Êxodo 12.13,14;

Hebreus 10.19-25).

Quantas vezes observamos nossa vida revirada e afligidas por terríveis problemas, outrora caminhamos com Deus e até sentimos saudade dos hinos, do convívio sadio com os irmãos, recordamo-nos dos sermões que ouvimos outrora. Sabemos que algo tem que mudar. Como? O quê? Nossa relação com Deus. Vá a uma igreja fiel à Palavra (ou seja que pregue fielmente a Palavra, administre apenas os sacramentos que a Bíblia manda – batismo e ceia – assim como exerça disciplina segundo as Escrituras). Iludimo-nos acreditando que podemos buscar a Deus apenas em nossas orações pessoais. Contudo o Senhor deve ser cultuado publicamente no culto solene, em família no culto doméstico e individualmente em nossas devocionais.

Ir ou retornar a uma igreja fiel lhe dará um contexto para:

·         Purificar sua vida de tudo aquilo que não glorifica a Deus como amigos, vícios, lugares, etc;

·         Pedir perdão e reatar laços rompidos;

·         Começar do zero e iniciar um novo rol de amigos e práticas que edificam sua vida, sua família e, acima de tudo, glorificam a Deus;

·         Em Cristo, ter paz com Deus.

Antes de iniciar qualquer agenda diplomática, abre o templo e restaura as suas portas e está certo que isso trará os cativos de volta, porque se recordou da oração que Salomão fez na inauguração do templo pedindo ao Senhor que, se o povo pecasse e isso suscitasse a ira de Deus fazendo-os ir ao exílio, quando se arrependessem seriam trazidos de volta (1Reis 8.46-41).

Naturalmente, os inimigos os deixariam sair. Corrie Tem Boom (1892-1983) foi uma holandesa cristã, que, juntamente com sua família, refugiou judeus em sua casa quando eram perseguidos pela polícia nazista na ocupação da Holanda. Por esse crime ficou presa do dia 28 de fevereiro de 1944 até 1945. Passou por três campos de concentração sendo o último foi o temível Ravensbrück onde morreram 96.000 mulheres, anos depois, em 1959, descobriu que sua libertação se dera por um erro administrativo, uma semana depois de sua soltura todas as prisioneiras de sua idade foram mortas.

3. Deus tem adjetivos que endossam nosso retorno

Todos os nossos pecados são em última instância cometidos contra o próprio Senhor. Davi depois de ser advertido pelo profeta Natã sobre o pecado de matar Urias para encobrir o adultério com Bate Seba, afirma se dirigindo ao Senhor: “Pequei contra Ti, contra Ti somente” (Salmo 51.4a). Contudo devemos reconhecer que há dois adjetivos nesse versículo que que estamos meditando que endossam nosso retorno:

·         Gracioso: o Senhor é amigável para com seu povo, ou seja, está disposto a perdoar aqueles que se arrependem. Isaías afirma: “ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, eles se tornarão alvos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão brancos como a lã” (Isaías 1.18). Aqui vemos quatro objetos contrastantes: a escarlata (uma tintura muito intensa de um vermelho tão forte que pende para o laranja) e o carmesim que é uma cor vermelha brilhante. Essas cores representam a intensidade do pecado, mas a ação reparado de Jesus pode fazê-los brancos como a neve (a neve tem um branco tão intenso que se alpinistas não usarem óculos apropriados porem ficar cegos com o seu intenso brilho) ou a lã;

·         Misericordioso/Compassivo: diante do pecado dos nossos primeiros pais o Senhor não os elimina, mas promete o salvador (Gênesis 3.15).

Corrie Tem Boom depois de sua libertação se engajara em um trabalho de testemunhar o amor de Deus em sua vida dentro dos Campos de Concentração e como ela se sua irmã Betsie (que morrera na prisão) testemunharam com intrepidez o evangelho de Jesus Cristo no vale da sombra da morte. Em uma igreja em Munique encontrou um antigo oficial da SS (abreviação de Shutzstaffel, tropa de proteção, a tropa de elite do nazismo) que estivera diante do chuviro de triagem em Ravensbrück. Ele lhe estendeu a mão dizendo: “muito obrigado Dona Corrie. E apesar que, como a senhora disse: Ele (Jesus) apagou todos os nossos pecados!”. Ele ficou ali como a mão abaixada vendo sua mão estendida e se recordando das zombarias e humilhações que enfrentara até ali, mas, por fim estendeu-lhe a mão e sentiu uma experiência incrível: “logo que apertei sua mão, um fato incrível aconteceu. Uma espécie de corrente elétrica pareceu passar de mim para ele, brotando de meu ombro e descendo elo meu braço até ele, e, de meu coração, nasceu um amor tão grande por amor aquele homem, que quase me sufocou”.

3. Um retorno eficaz

O hebreu entendia que o Senhor desviava o rosto de nossa vida de pecado o Senhor desviava o rosto de suas vidas, segundo Calvino (refletindo Salmo 30.7) isso seria ser privado dos dons divinos, o que gera um momento de tribulação. A promessa nesse versículo é que nosso retorno ao Senhor motivada por uma mudança de vida temos uma salvação eficaz que não será arrancada de nós. Essa ida a Jesus não se dá por nossas motivações pessoais, ninguém vai a Jesus, porque é uma opção racional somos levados a Jesus de arrasto pelo Pai (João 6.44) e, por que essa salvação não depende de nós, mas de Cristo não pode ser arrancada de nós.

Jesus conta uma parábola sobre retorno em Lucas 15.11-32, na qual um filho pede ao Pai que lhe dê a herança que lhe cabe (o que equivalia dizer que o pai valia mais morto do que vivo). O moço tomou sua parte na fortuna e saiu para terras estrangeiras onde gastou o dinheiro com prodigalidade. Quando o dinheiro acabou as falsas amizades também não duraram e passando fome desejava comer a comida que se davam aos porcos, mas lhe negavam até mesmo isso. Caindo em si viu que os empregados de seu pai tinham pão em fartura e decidiu retornar, porque sabia que essa situação mudaria sua vida, contava com a graça e misericórdia de seu Pai que o acolheria e não o desprezaria.

Não importa qual seja nossa situação podemos contar com a mesma graça advinda do Senhor.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

UMA NOVA PERSPECTIVA PARA A DOR



Uma nova perspectiva para a dor



“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2 Coríntios 12.9)



Esse versículo mostra a resposta do Senhor ao Apóstolo Paulo, que, por três vezes, pedira que lhe fosse tirado o que chama de “espinho na carne”. Percebamos que, apesar da intimidade desse piedoso homem, a resposta ao seu pedido veio depois de duas tentativas em que encontrou apenas o silêncio. Essa mostra de perseverança do Escritor bíblico deve nos incentivar sempre mais e mais a uma persistência inabalável nesse tão precioso meio de graça, a oração. Deus, muitas vezes, demora-se em responder nossas orações para nos educar nessa santa firmeza e, em uma confiança, cada vez mais inquebrantável. Observemos que a resposta não foi satisfatória, pois nem sempre o Senhor responde sim à nossas petições, mas sempre segundo sua vontade soberana.

Desde muito tempo os comentaristas se debruçam sobre os versículos desse capítulo a fim de explicar que seria esse espinho na carne. Paulo nos afirma, em 2 Coríntios 12.7, que ele tinha um propósito: para que “não se exaltasse demais”, isso, porque, com certeza, Paulo é o homem que foi até o terceiro céu (veja 2 Coríntios 12.2), o que era equivalente ao próprio paraíso (veja 2Coríntios 12.4) e lá ouviu “palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”. Esse espinho é um mensageiro de Satanás encarregado de esbofeteá-lo, o que é uma severa penalidade até nos dias de hoje, o que fazia lembrando-o de suas fragilidades.

Essa experiência extraordinária aconteceu há quatorze anos, a contar de 56 d.C. (data em que essa carta foi escrita) isso equivale ao ano 42 d.C., quando, na segunda viagem missionária, anos depois de sua conversão, organizava igrejas na Síria e Cilícia (veja Atos 15.41 e Gálatas 1.21), contudo esse evento tão marcante aconteceu no silêncio de uma vida de intimidade com Deus, tampouco foi relatado, pois Lucas não mencionou nos Atos dos Apóstolos.

Atentemos para o fato de que, como em Jó, Satanás não está agindo fora, mas sob o controle do poder de Deus, porque o Diabo não é um cão raivoso e descontrolado, mas o Diabo subjudado pelo próprio Senhor que quer fazer seus intentos vis, mas, em última instância não consegue fazer fracassar os intentos do Criador de todas as coisas.

A palavra espinho (σκόλοψ skolops) utilizada aqui dá a ideia de algo sutil como o acúleo de uma rosa ou a ponta de um anzol e é usado no sentido figurado como acontece em Números 33.55, Ezequiel 28.24 e Oséias 2.8. Existem muitas sugestões para esse sofrimento alguns dizem que fora um problema de visão por causa de Gálatas 4.14,15, outros dizem que seja malária, lepra, reumatismo ou um problema de fala por causa de 2Coríntios 10.10; 11.6 ou inimigos devido a 2 Coríntios 11.13-15(KISTEMAKER, 2003, p.581). Contudo, ao meu ver, o mais provável é ligar esse sofrimento ao que ele se dispõe a se gloriar em 2 Coríntios 12.10: fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias por amor de Cristo. Essa se parece com a posição de Calvino, quando afirma: “entendo que essa frase significa a soma de todos os diferentes tipos de provações com que Paulo era atormentado” (2008, p. 299).

Talvez, você, caro leitor, diga: eu não sou angustiado, perseguido, necessitado, injuriado e enfraquecido, por causa de Cristo, contudo gostaria de convidá-lo a entender que você observe a somatória dos obstáculos que lhe têm esbofeteado e feito você entender que é miserável e totalmente necessitado de Deus. Esse é o seu espinho na carne. Talvez, semelhante a Paulo, você esteja querendo se livrar dele. Com certeza, nas suas orações você tem pedido que seja liberto desse terrível sofrimento e vergonha, mas Deus nos convida a uma nova perspectiva sobre o sofrimento:

1. Suficiência da graça no sofrimento

“A minha graça te é suficiente”

Conta-se que o filósofo grego Sócrates, passando pelo mercado, disse: “vejam de quantas coisas os atenienses precisam para viver”. Quando estamos fortes muitas vezes preenchemos nossa vida e prazeres com as diversas propostas advindas do mundo que nos circunda. Contudo, no oscilar de nossas forças quando os melhores prazeres da vida nos causam fastio e incômodo apenas a graça pode nos preencher. Na verdade essa sempre foi nossa única e maior carência, mas nos iludíamos com vaidades de saciedade temporária.

Ao lidarmos com nosso “espinho na carne”, somos convidados a repararmos como nos momento mais adversos somos assistidos pela graça vinda do próprio Deus e capaz encher nossas expectativas.

2. O sofrimento como ambiente propício para o desenvolvimento da graça

“porque a força/graça de aperfeiçoa no sofrimento/espinho na carne”

Deus passa a usar o termo força equivalente ao termo graça, assim como, fraqueza para se referir ao “espinho na carne”. Dessa maneira, responde a pergunta que fazemos, quando nas horas mais dolorosas sentimo-nos amparados por essa paz que excede todo entendimento, e nos perguntamos, porque nos momentos calmos da vida não a sentíamos com tanta vivacidade.

Aprendemos que, nos momentos em que o espinho está mais cravado em nossa vida e queremos que seja extraído, esse é o mais propício para essa graça que nos fortalece de desenvolva, se aperfeiçoe, porque aprendemos que o Reino de Deus não é para homens impávidos e autossuficientes, mas pessoas quebradas, que se reconhecem miseráveis e carentes dessa doce e imerecida graça.

3. Aproveitar o sofrimento

“portanto, gloriar-me-ei com maior prazer e maior grau nas minhas fraquezas (espinho na carne) com a intenção de que a força/graça permaneça sobre mim”

Nossa sociedade utilitarista, que visa minimizar a todo custo os sofrimentos e maximizar os prazeres, o homem tem medo de sofrer. Na sociedade das mídias sociais é proibido ficar triste. Entretanto o Senhor manda Paulo se gloriar com maior prazer e em maior grau desse espinho que estava experimentando e tão ávido de que lhe fosse tirado. Precisamos entender que não murmuramos diante das adversidades as tornarão apenas mais duras e longas, apenas quando compreendemos que os sofrimentos procedem do Senhor e são dados na medida exata, que ele, singular conhecedor de nós mesmos, nos dá, porque sabe que podemos suportar. Se encararmos o sofrimento como um doce aprendizado suas agruras serão mais leves e suportáveis.

Deveríamos, como Paulo, ter a mesma disposição em aceitar a resposta divina, mesmo que ela não seja aquela que intencionávamos quando começávamos a orar afirmando “por essa razão tenho prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias pelo nome de Cristo, porque, quando sou fraco, então sou forte” (2 Coríntios 12.10). Assim teremos uma vida mais íntima com Deus livres de ressentimentos que não se harmonizam com o reto ensino das Escrituras.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Os três cuidados ao procurar um pastor e uma igreja


Os três cuidados ao procurar um pastor e uma igreja
 "Disse, porém, Josafá: Não há, aqui, ainda algum profeta do Senhor, para que o consultemos? Respondeu o rei de Israel a Josafá; Há um ainda, porque podemos consultar o Senhor; porém eu o aborreço, porque nunca profetiza de mim o que é bom, mas somente o que é mau". (2Crônicas 18.6,7)

Caro leitor, gostaria de propor-lhe uma pergunta no início dessa reflexão: é saudável e seguro buscar um médico pelos mesmos critérios pelos quais eu busco um restaurante?
Obviamente, há semelhanças nessas procuras: procuramos um médico credenciado e especialista, assim como um restaurante higiênico e bem estabelecido. Contudo, você, também, percebeu o quão perigoso é esse critério, porque o melhor restaurante é aquele que melhor satisfaz os meus desejos, enquanto o melhor médico é aquele que da melhor maneira apresenta-me a minha doença e aponta o melhor tratamento possível. Imagine que tivéssemos médicos que não nos apresentem nossa doença, mas dissessem que tudo é normal, ou no mínimo comum, e que não precisamos nos preocupar com nada. Entende isso seria um caso de polícia.
1º cuidado: pastores seguidos por multidões não convertidas
O versículo proposto trabalha com um tema semelhante, pois nós deveríamos, deferente de Acabe, buscar igrejas e pastores (entenda semelhante a profeta) não com os critérios do prazer e do entretenimento (aqueles pelos quais buscamos restaurantes), mas pela responsabilidade de conhecer a verdade e ser liberto (aquele pelo qual buscamos bons médicos).
O melhor pastor e a melhor igreja são aqueles que apresentam o meu pecado pela fiel exposição da Palavra (1Cor 1.21), mostra-me o que equivalência na medicina a doença, ou seja, o pecado, a doença da alma, e leva-me a Jesus, que com o seu sangue derramado cura esse terrível problema, mas também apresenta-me a melhor recuperação, o Espírito Santo, que progressivamente, convence-me do meu pecado (e da constante influencia deste), assim como da justiça e do juízo de Deus (Jo 16.8).
Josafá (rei do Reino de Judá, Reino do Sul, capital Jerusalém) e Acabe (rei do Reino de Israel, Reino do Norte, capital Samaria) estão reunidos para lutar contra Ramote-Gileade (2 Crônicas 18.1-3) e, por causa dessa guerra, ambos estão consultando os profetas para certificarem se do êxito ou do fracasso dessa empreitada. Acabe é um rei que fez aquilo que era mau perante o Senhor (como todos os rei do Norte), mas com um agravante: “mais do que todos os que o antecederam” (1Reis 16.30), pois além de idólatra casou-se com uma mulher pagão, dos sidônios, servidora e adoradora de Baal, que perseguia e matava (sob o aval de Acabe) os profetas do Senhor. Ele busca quatrocentas profetas para auxiliá-los, que estão usando e profetizando o nome do Senhor. Veja, em 2Crônicas 18.10: “Zedequias, filho de Quenaaná, fez para si uns chifres de ferro, e disse: Assim diz o SENHOR: Com estes ferirás os sírios, até que sejam consumidos” (grifo meu). Perceba que Zedequias está usando a clássica expressão usada no Antigo Testamento para introduzir uma profecia (usada inclusive pelos profetas fiéis), assim como utiliza o termo Yavéh, o nome de Deus dado a Moisés.
Contudo Josafá, apesar das boas predições dos Profetas (2Crônicas 18.11), percebeu que eles não eram profetas do Senhor. Não basta usar o nome de Deus para legitimar tudo o que se falou. Existem igrejas midiáticas que, apesar de usarem o nome do Senhor pregam o que não está na Bíblia e segundo os seus corações pecaminosos. O profeta Jeremias, falando sobre os falsos profetas dos seus dias, afirma: “Dizem continuamente aos que desprezam a palavra do Senhor: Paz tereis; e a todo o que anda na teimosia do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós” (Jeremias 23.17) e “não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram” (Jeremias 23.21).
A nossa única regra de fé e prática é a Bíblia Sagrada, porque é inspirada (veio do próprio Deus), é inerrante (não contém erros), é plena (não tem nenhuma deficiência) e suficiente (tudo o que precisamos saber para nossa salvação e para termos reta vida com Deus está em suas páginas). Deus não se compromete com o pregador, mas com sua Palavra, por isso, quando o Pregador não fala a Palavra e não a aplica adequadamente ele se transforma em um falso profeta, tão perigoso como um falso médico. Os quatrocentos profetas de Acabe profetizavam sob um espírito de mentira (2Crônicas 18.22).
Perceba que para Acabe acreditava existir apenas um profeta do Senhor, assim como Elias se via como o último profeta do Senhor, mas existiam sete mil “todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou” (1Reis 19.18). Ainda hoje os profetas fiéis estarão sempre em numero inferior aquele dos falsos profetas, porque o Pregador fiel da Palavra não condiciona seu discurso ao que agradará seus ouvintes (assim como o médico não pode agir assim), mas ao Senhor. Veja em 2 Crônicas 18.12, o conselho do mensageiro de Acabe a Micaías, “eis que as palavras dos profetas, a uma voz, são favoráveis ao rei: seja, pois, também a tua palavra como a de um deles, e fala o que é bom” (2Crônicas 18.12), ouve a resposta “Assim como vive, o SENHOR, o que meu Deus me revelar, isso declararei” (2Crônicas 18.13). O mesmo acontece ainda hoje, pois Paulo diz a Timóteo: “chegará o tempo em que não suportarão o santo ensino; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, reunirão mestres para si” (2 Timôteo 4.3).
Cuidado, quando um pastor prega apenas prosperidade e não fala de pecado e santidade, não convida a mudar de vida. Portanto, cuidado com Profetas que são seguidos por multidões que não vivem a Palavra.
2º cuidado: pastores carismáticos, o livro não se compra pela capa
Acabe não gostava de Micaías por dois motivos: não profetiza coisas boas e todos os dias profetiza-lhe o mal. Obviamente, Acabe não poderia encontrar nenhuma Palavra agradável diante do Senhor, pois era mau, idólatra, casado com uma mulher que perseguia e matava mensageiros de Deus. O ímpio sempre encarará a Bíblia como um livro ingênuo, porque está sempre expondo-lhe o seu pecado e exortando a uma vida nova.
3º cuidado: o que conta não é o seu prazer na igreja, mas o pazer de Deus em sua vida
Assim como hospitais não foram feitos para serem colônias de férias (exceto Campos do Jordão), igrejas não foram feitas para o entretenimento, mas para oferecerem da melhor maneira o que importa: a exposição fiel da Palavra.
Existem muitos métodos para atrair pessoas a igreja. Existem até aqueles que se valem de propostas da propaganda e da vida empresarial. Querem pescar com rede, o que deve ser pescado com anzol. Ao se pescar com rede, fazendo arrastão se pesca muito, mas com pouca qualidade. O objetivo desse método é encher. Enquanto, com anzol visa atrair o peixe, pesca-lo, avalia-lo para depois coloca-lo no cesto.
A igreja não foi feita para o ímpio, mas para o ímpio convertido, que teve seu coração aberto pelo Espíriro santo e, por isso, busca a Deus. Josafá, ouvindo a constatação que Acabe fizera de Micaías exortou-o a não falar daquela maneira. A busca pela Palavra fiel será pequena, mas aqueles que a buscarem terão suas vidas transformadas.
Jesus, em João 6, depois de ter multiplicado os pães, é seguido por uma grande multidão, que querem apenas mais, pão, quando ele mostra que Ele é o pão da vida, maior que Moisés, porque quem comia dele, ou seja, o recebi como único e suficiente salvador não seria mais fome nem sede. Muitos se escandalizaram e deixaram de o seguir (João 6.66). O Mestre não mudou seu procedimento, mas olhou para os doze e disse: “quereis, também, vós outros retirar-vos?” (João 6.67), mas Pedro, como todos os leitos, respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna!” (João 6.68).

Portanto, cuidado se você busca uma igreja pela multidão que a procura, pela música que ela oferece, pelo carisma do pregador ou pelos supostos milagres que lá se realizam (vá a Apocalipse 13 e veja que Satanás pode fazer tudo isso e enganar aqueles que tais coisas procuram). Busque a Jesus somente e isso basta.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O inútil esforço de justiça




O inútil esforço de justiça

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5.1)

Um grande problema que existe entre o homem e a Bíblia está na maneira como nos vemos e como a ela, a revelação específica de Deus, nos vê. Iludimo-nos em acreditar que somos, de alguma maneira, bons e justos e que, de alguma forma, somos úteis para Deus. Enganamo-nos com o pensamento do filosofo francês Jean Jacque Rousseau (1712-1778) de que o homem nasceu bom, mas se tornou mau em contato com o mundo ai seu redor. É mera ingenuidade crer que o homem é mal em uma circunstância ou por algum tempo. Davi afirma no Salmo 51.5: eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”. Dessa maneira, o pecado não é um deslize imposto pela sociedade, tampouco uma tendência que adotamos quando crescemos. Assim como pequenas serpentes possuem tanto ou maior veneno que as adultas, até as crianças mais doces nascem mergulhadas no pecado que só poderão vencer pela graça sobrenatural de Jesus Cristo. Não há idade em que somos menos susceptíveis às investidas do mundo, pois, em cada idade, temos desafios diferentes, tampouco pecados fáceis.

Uma história que ilustra essa realidade é O Retrato de Dorian Gray do autor inglês Oscar Wilde (1854-1900). Nessa história, Dorian é um rapaz muito bonito que tem seu quadro pintado, mas, quando vê sua beleza no quadro pede para que o quadro envelheça, mas ele continue jovem. Entrega-se a uma vida de devassidão. Como pedido, o desenho registra toda a sua deterioração, por isso, o trancafia em um dos quartos de sua casa. Parte a fim de morar no campo e buscar uma vida de abnegação para ver se pelas boas obras poderia modificar a sinistra imagem de sua ama que o quadro lhe gritava. Depois de tempos mergulhado em conduta exemplar. Quando volta a sua casa e entra no quarto constata uma verdade difícil nenhuma boa disposição ou ação humana pode mudar o coração onde só Deus pode operar.

1.      Justificados

Existe um momento em que, como Dorian, constatamos o deplorável estado de nossa alma. Percebemo-nos injustos. Nessas horas, há somente duas atitudes possíveis: buscar nossa própria justiça ou nos entregarmos à justiça de outra pessoa. Segundo a Confissão de Westminster (XI.1) “a justificação não consiste em Deus infundir neles a justiça, mas em perdoar os seus pecados e em considerar e aceitar as suas pessoas como justas”. Portanto, podemos nos fiar em desculpas esfarrapadas, nas quais colocamos a culpa de nossos pecados nas circunstâncias ou na nossa pouca experiência? Obviamente, não.

O pecado é como uma conta, que só pode ser paga. Essa conta chamada pecado foi contraída por nossos primeiros pais no Éden quando comeram do fruto do conhecimento do bem e do mal. Paulo afirma que o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23). Dessa maneira, não temos condições de pagar essa dívida. Seria como se devêssemos a um rei o equivalente a 164.000 dias de trabalhos (contando sábados, domingos e feriados). Jamais pagaríamos sem morrer. Contudo Jesus, o único que poderia pagar esse débito em nosso lugar, porque é Deus e homem ao mesmo tempo, “Deus fez daquele que não tinha pecado algum a oferta por todos os nossos pecados, a fim de que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Cor 5.21).

Deus é justo e misericordioso. Não poderia nos perdoar sem corromper sua justiça, então, porque “amou o mundo de tal maneira deu seu Filho ao mundo para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). A ira de Deus que estava destinada a nós caiu sobre Jesus, por isso, o Pai se agradou em moer o próprio filho para que a sua posteridade tenha seus dias prolongados (Isaías 53.10).

O homem não é justo, não pode existir nenhum justo sequer (Romanos 3.10), mas ele é justificado nos méritos de Jesus Cristo e no seu sangue derramado na cruz do calvário. Esse é o aspecto negativo da justificação: Deus não leva em consideração os nossos pecados.

2.      Mediante a fé

A fé é “o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem” (Hebreus 11.1), assim como um dom de Deus aos eleitos (Efésios 2.8). A fé em Jesus Cristo é o único meio de alcançar a essa justiça, o fim dos débitos contraídos no Éden por nossos primeiros pais. Segundo a Confissão de Westminster “Esta fé é de diferentes graus, é fraca ou forte; pode ser muitas vezes e de muitos modos assaltada e enfraquecida, mas sempre alcança a vitória, atingindo em muitos a uma perfeita segurança em Cristo, que é não somente o autor, como também o consumador da fé” (XIV.3). Paulo mostra em Romanos 4 que Abraão creu e isso foi lhe imputado (foi declarado) como justiça (Romanos 4.3)

3.      Temos paz com Deus

Quem saboreou o doce gosto da paz? A paz que conhecemos é sempre um sonho que dura enquanto as pessoas recarregam suas armas. Um bem perecível a tantas oscilações internas e externas. O missionário indiano Sundar Singh, ainda no hinduísmo pagão de sua juventude, buscava esse bem tão raro. Procurou no Alcorão (livro sagrados dos Mulçumanos) e nos Vedas (livro sagrados do Hinduísmo), a qual encontrou apenas em Jesus Cristo como declarou: “caí ao seus pés e senti essa paz maravilhosa que não havia encontrado em outro lugar. Era essa a paz que eu buscava. Aquilo era o próprio céu. Quando me levantei, a visão tinha desaparecido, mas a paz e a alegria permaneceram comigo ara sempre”.

Esse é o aspecto positivo da justificação: ter paz com Deus. Nós éramos filhos da desobediência (Efésios 2.2), andávamos segundo os desejos de nossa carne (Efésios 2.3), “mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo pela graça sois salvos” (Efésios 2.4,5).

Estávamos correndo quais bandidos correndo do polícia. Um dia vimos que não adiantava mais correr por isso nos entregamos e a arma que nos ameaçava foi abaixada. Não adiante corrermos do Senhor, se continuarmos nessa trajetória seremos surpreendidos por um juiz a quem não se pode enganar, nem subornar, mas se nos rendermos ao seu amor infinito seremos novas criaturas imbuídas da paz inabalável, a paz com Deus. O contrário seria um inútil esforço de justiça.

terça-feira, 21 de junho de 2016

A inevitável servidão


A INEVITÁVEL SERVIDÃO
“Serão seus servos, para que conheçam a diferença entre a minha servidão e a servidão dos reinos da terra” (2 Crônicas 12.8)
Essa é a Palavra do Senhor, por meio do profeta Semaías, que concluiu todo um processo de disciplina ao rei Roboão e todo Judá.
Roboão, filho de Salomão, que reinou de 932 a 916 a.C. e fez o que era mau perante o Senhor (1Reis 14.22), pois quando fortaleceu sua realeza e estabeleceu seu governo, com seus filhos, deixou a lei de Deus (2Cr 12.1). Esse afastamento não se deu com a mera omissão aos deveres religiosos, mas construiu ídolos e permitiu que homens exercessem prostituição religiosa em Judá, prática comum entre os pagãos para aumentar a fertilidade da terra, contudo condenada pela Lei Sagrada (Dt 23.18).
O professor Mário Sérgio Cortella, citando Guimarães Rosa, diz que o “animal satisfeito dorme”, ou seja, os dias sem tribulação, quando nossos empreendimentos se estabelecem, são os que deveríamos ficar mais atentos, pois, nessas circunstâncias, estamos susceptíveis a constatação do rei Agur, o farto de muitos bens pode dizer: “quem é o SENHOR?” (Pv 30.9)
Diante do desvio de Roboão e de seus filhos o Senhor suscitou, no quinto ano do seu reinado, Sisaque, rei dos egípcios (1Reis 14.25) contra Jerusalém. Diante do sofrimento, há duas atitudes possíveis: a murmuração ou o lamento. Aquela é o reclamar constante elegendo Deus ou o destino como culpado pelos seus problemas; este começa com uma confrontação com o sofrimento que se assemelha à murmuração, mas, geralmente (porque os Salmos 44 e 88 acabam sem ação de graças), acabam com ação de graças.
Diante da exortação do profeta Semaías “vós me deixastes a mim, pelo que eu também vos deixei em poder de Sisaque” (2Cr 12.5). Diante dessa orientação, humilharam-se em seus corações e o Senhor lhes proveu livramento, mas com a condição “serão seus servos, para que conheçam a diferença entre a minha servidão e a servidão dos reinos da terra.” (2Cr 12.8).
Esse versículo mostra a nossa condição diante da liberdade, palavra pequena, mas que desenvolve sonhos e revoluções. O homem quer ser sempre cada vez mais livre. Mas ele consegue? Sempre está preso a algo e sempre está dando explicações a alguém. O jovem que se irrita com a intransigência dos pais logo está se resignando aos ditames de um patrão, que lhe dá ordens sem amor.
De fato, a liberdade não é absoluta de tal maneira que possamos fazer o que quisermos sem dar satisfação a alguém, tampouco será nula a ponto de sermos títeres nas mãos do Senhor. Roboão foi livre para abandonar o Senhor guiando-se pelos desejos pecaminosos de seu coração radicalmente depravado. Todos nós estamos susceptíveis a essa mesma realidade, pois “aquele que pensa estar de pé, olhe para eu não caia” (1Co 10.12), contudo saibamos que o Senhor está no controle de todas as coisas e tratará de nossa alma adequadamente.
Assim como o paciente, leigo na medicina, não compreende o tratamento, assusta-se com os procedimentos e irrita-se com a dor que eles provocam, mas submete-se a eles, porque confia no médico, muito mais nós diante dos sofrimentos dessa vida deveríamos suportá-los, porque confiamos no Deus que temos.
O Senhor ensina, em primeiro lugar a Roboão, que existem dois Reinos: o dEle e o da terra e não se pode deixar de servir pelo menos um deles. A palavra utilizada no hebraico עֶבֶד êbed tem o sentido de escravo. Paulo se apresenta aos Romanos “Paulo, escravo de Jesus Cristo[...]” (Rm 1.1).
Nascemos escravos do mundo e, por um milagre bendito passamos a servir a Deus. Vamos ilustrar da seguinte maneira: o peixe é escravo das águas e o homem do ar. Se colocarmos o peixe em contato com o ar ele morrerá, assim como o homem, sem os equipamentos necessários e por um tempo prolongado, imerso não resistirá igualmente. A nossa conversão (servirmos exclusivamente a Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso suficiente salvador) é tão miraculoso quanto um homem passar a viver nas águas e um peixe viver, tranquilamente, fora dela.
O ímpio tem prazer em servir o mundo e suas concupsciências, porém aqueles que servem a Jesus Cristo só poderão fazê-lo, porque, apesar de mortos em seus delitos e pecados foram vivificados pelo poder regenerados daquele que venceu a morte e nos deu a vida eterna (Ef2.1). Dessa maneira Jesus diz em sua oração sacerdotal que os seus discípulos estavam no mundo, mas não era do mundo (Jo 17.16).
O Cristão vive no meio de um mundo que jaz no maligno (1Jo 5.19) e o amor está se esfriando (Mt 24.12) como pode viver sem chafurdar na lama do pecado? Reverendo Boanerges Ribeiro ilustra essa realidade mostrando que o peixe marinho, apesar de estar em águas salgadas, o sal não penetra em sua carne de tal maneira que se não for temperado com sal sua carne ficará insossa para o consumo. Somos influenciados pelo pecado do Éden até aqui e apenas no céu ficaremos livres dos resquícios desse peso que atrapalho o nosso correr para Cristo, contudo enquanto o ímpio peca e sente orgulho de seu procedimento, aquele que teme o Senhor arrepende-se e muda de vida, mesmo com luta constante.
O Senhor ensina a Roboão, em segundo lugar, que não há como servir ambos os reinos. A história diz que Dom João VI tentou se submeter a inglês e franceses e quando teve que tomar um partido fugiu para as terras brasileiras. Contudo, com Deus, não se pode agir assim, porque não há um só lugar no mundo, uma polegada sequer na criação que não esteja no controle do Criador, por isso, não se poder servir a Deus e ao mundo.
Jesus explica que “ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24). Servimos o mundo e as aparentes riquezas dele quando andamos ansiosos pelo que haveremos de comer, beber ou vestir. Ninguém está em posição favorável para saber como será o futuro. Não há quem possa se regalar com a vida que leva sem se preocupar com as tribulações, tampouco se desesperar com as circunstâncias adversas como se elas nunca fossem passar. Em ambas as ocasiões, precisamos saber que o senhor está no controle, deixando para cada dia o seu próprio mal (Mt 6.34).
Você concorda comigo? Isso é bom, porque com o aquele que não conhece a Jesus não é assim, seu deus é o seu próprio ventre (Rm 16.18) e acredita que pelo muito pesar e se preocupar pode aumentar sua vida.
Em terceiro lugar, o Senhor ensina a Roboão que há uma diferença entre esses dois reinos. Quando alguém persegue a necessidade do ar? Quando em uma crise de asma ele lhe falta. Quando alguém atenta pela preciosidade da água? Quando, em uma seca, ela começa a ser racionada. Pelo motivo de tanto o ar e a água serem bênçãos ordinárias, ou seja, que nos são oferecidas continuamente, não nos importamos que ambos sejam poluídos. O mesmo acontece com as bênçãos celestiais, porque nos atingem ordinariamente nos esquecemos delas. Nesse esquecimento, tal como Roboão, podemos cochilar em nosso zelo para com a Palavra de Deus e na observância do amor, o maior dos dons. A idolatria e os pecados mais perniciosos nascem esse se desenvolvem adubados pela esquecimento da providência divina. Contudo, por meio de Semaías, Roboão é alertado ao fato de que a diferença entre o Reino de Deus e o Reino da terra está na misericórdia.
O avô de Roboão, Davi, quando teve que escolher uma punição para o pecado de convocar um senso (1Cr 21.12) pernicioso poderia escolher entre três anos de fome, três mês na mãos dos inimigos ou três dias nas mãos de Deus. O Filho de Jessé escolheu a última alternativa, porque o Senhor é mais misericordioso do que os homens (1Cr 21.13). O Filho pródigo só reconheceu a maravilha que era seu lar quando lhe é negado até mesmo a comida dos porcos (Lc 15.15-17).
Portanto, saibamos que existem dois Reinos o de Jesus Cristo e o do mundo, este reino oferece mil recompensas, mas que só têm valor nessa terra, enquanto o Senhor daquele Reino afirma que aquilo que for necessário (como comer, beber e vestir) nos será acrescentado (Mt 6.33).
Não há como encontrar um lugar confortável sobre o muro. Lembremo-nos de Zaqueu que para visse a salvação entrar na sua casa precisou descer da árvore, receber Jesus e buscar uma nova vida.
O senhor desse mundo é um mentiroso (Jo 8.44), iludiu nossos primeiros pais no Éden e quer nos enganar. Promete, como fez ao próprio Cristo, pão, riquezas e poder, mas não pode conferi-las a ninguém. Jesus subiu ao madeiro no nosso lugar e pagou a nossa dívida de morte.

Sirvamos o Senhor Jesus Cristo com todo o nosso viver e teremos um céu já nessa terra e esperamos ele pleno junto do Senhor.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A FALSA MORAL


A FALSA MORAL
“Salomão fez subir a filha de Faraó da Cidade de Davi para a casa que a ela edificara, porque disse: Minha esposa não morará na casa de Davi, rei de Israel, porque santos são os lugares nos quais entrou a arca do Senhor” (2 Crônicas 8.11)
A discussão moral parece abstrata e aqueles que se dedicam a essa matéria podem ser taxados, pejorativamente, de moralistas, porque se confunde moral com falsa moral. Contudo a pergunta sobre o que é certo e o que é errado é sempre pertinente, contudo para respondê-la se faz necessário considerar: certo ou errado em relação a quê?
Existem duas maneiras de responder a essa questão: uma proposta absoluta e outra relativista.
A primeira é admitir a existência princípios absolutos (ética das virtudes). Nessa alternativa, o certo é aquilo que se adequa a esses padrões pré-estabelecidos. Na Grécia, Aristóteles (384-322 a.C.) era defensor dessa ideia afirmando que um padrão ético é aquele que desenvolve melhor as virtudes de um indivíduo. Contudo o Filósofo de Estagira acreditava que, para que essas virtudes se desenvolvessem de maneira adequada, se fazia necessário vir das classes mais abastadas.
A segunda é considerar que os padrões são relativos (ética das consequências). Essa vertente parte da ideia do filósofo Maquiavel (1469-1527) na qual os fins justificam os meios. Essa ideia consequencialista se pauta ou pelo pragmatismo, firmada no filósofo americano John Dewey (1859-1952), na qual o certo é aquilo que dá certo ou no utilitarismo de Start Mill (1806-1873), em que o certo é aquilo que proporciona o maior número de pessoas felizes.
Partindo do pressuposto de que casamentos sempre foram utilizados para alianças políticas entre os governantes do mundo ao longo da história. Em sociedades em que a poligamia era praticada muitos casamentos proporcionavam mais e mais aliados políticos. Salomão, tomando a filha de Faraó, está fazendo um “amigo” político importante para Israel. Dessa maneira, avaliando o casamento de Salomão pela ética das consequências, os fins eram benéficos (utilitarismo) e evitavam um perigoso inimigo militar (pragmatismo). Entretanto esses parâmetros garantem a legitimidade das atitudes humanas inclusive as nossas?
Percebemos nesse versículo que a ética das virtudes moldada pelos padrões judaico-cristãos identifica que existem padrões universais, claramente expostos na Palavra, os quais devem ser obedecidos não para alcançar a felicidade (como afirmava Aristóteles), mas para a maior glória de Deus. Nessa perspectiva, Paulo afirma aos Gálatas “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20).
Se administrarmos nossa conduta por uma via relativa precisaremos anestesiar nossa consciência, invalidar a Palavra e buscarmos uma vida de alternativas, pois diante da verdade que está na revelação específica do Senhor o certo é legitimado pela Palavra, está em harmonia com a consciência e não precisa de arranjos legais para existir.
Salomão fora o mais sábio dos Reis (1Rs 3.12), estando abaixo apenas do Senhor Jesus (Mt 12.44), contudo afirma: “o temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino” (Pv 1.7). O Terceiro Rei de Israel sabia, por meio de Deuteronômio 7.1-4, que o povo de Deus não contrairia matrimônio, tampouco dar em matrimônio seus filhos às nações que o Senhor expulsou do meio deles.
O Novo Testamento adverte sobre o perigo do jugo desigual: “não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre justiça e a iniquidade? (2Co 6.14). Vemos esse perigo na vida do rei Salomão, porque teve seu coração pervertido pelas mulheres ímpias com as quais contraíra casamento de tal maneira que seguiu Astarote o deus dos Sidônios, ergueu santuário a Quemos, deus do Moabitas. Quando jovens começam relacionamentos em jugo desigual e se dizem sábios e conscientes de maneira que o namoro não interferirá a intimidade que têm com Deus, deveriam se recordar do exemplo desse sábio rei de Israel.
Portanto, parafraseando o Salmo 119.9, de que maneira o homem guardará puro seu caminho? Observando o seu caminho, sua vida, sua conduta (mesmo as menores) segundo a Palavra de Deus.
Aquele que é infinitamente maior do que Salomão, cumpriu cabalmente toda a lei subindo até o madeiro e, por isso, por meio dEle e apenas por meio dEle podemos cumprir a vontade de Deus e agradá-Lo.
A filha de Faraó estava há algum tempo na casa de Davi, onde o rei de Israel morava. O convívio com essa princesa revelou suas práticas pagãs, as quais vieram de encontro aos princípios que aprendera com seu pai. Como nossa consciência nos atormenta diante daquilo que não se afinou aos termos da Palavra. Contudo a mesma razão que vê a incompatibilidade da Palavra com nossa conduta ou com o procedimento alheio, por ser influenciada pelo pecado, começa a arrumar desculpas baseadas no merecimento ou na necessidade para que a consciência se adeque àquela situação, mesmo que ela não se coadune com a vontade do Senhor.
Tiago afirma que “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai (a ideia da palavra grega ἐξέλκω - exelko é de colocar uma isca para o peixe) e seduz.” (Tiago 1.14). A cobiça de Salomão o levou gradativamente a uma vida de maior pecado e abandono do Senhor, por isso, o Senhor retira-lhe dez tribos e dá a Jeroboão (que no reinado de Roboão, seu herdeiro, serão o Reino de Israel ou Reino do Norte ou Efraim).
Aquele que é maior do que Salomão, apesar de ser igual a nós em todas as coisas se diferenciava por não pecar (Hb 4.15), por isso, mesmo sendo tentado no deserto por satanás pela fome, pelas riquezas ou pelo poder soube ser fiel. Resistiremos a todas as tentações em Jesus, por nenhuma delas é sobrenatural e teremos o devido escape do Senhor (1Cor 13.10).
Salomão ao invés de romper com o pecado e as aparentes vantagens que ele parecia proporcionar, passa a conviver com ele e começa a arrumar subterfúgios legais para essa união impossível de santidade e impureza. Ele sabia que deixar sua esposa vivendo em Israel tão próxima da arca do Senhor não era apenas perigoso (lembremo-nos de Nadabe e Abiú), mas indecente, por isso, ele tem uma ideia infantil construir um palácio fora de Jerusalém como se o erro estivesse baseado em um lugar ou em uma cultura. O que é errado é errado dentro ou fora da igreja, porque Deus domina sobre todos os lugares.
Geralmente, uma vida parcial com Deus se exterioriza em escrúpulos artificiais que caracterizam a falsa moral. Para Salomão retirar sua esposa de Jerusalém era uma grande obra, mas indicava apenas como ele estava sendo atraído e seduzido pelo pecado e como caminhava, mesmo sem perceber, para a morte (Tiago 1.15).
Aquele que é maior que Salomão jamais fez conchavas com o pecado. Quando os escribas e fariseus levam a Jesus uma mulher surpreendida em adultério. O Senhor não disse que seria ilícito matá-la como a lei pedia (mesmo que essa prática não fosse mais utilizada na Palestina dominada por Roma), mas os orienta a ver se não eram tão pecadores como ela, tampouco tem uma postura flexível quanto a moral, mas ordenou “vá e não peques mais”.
Portanto, a partir de Jesus Cristo vemos a perfeita conduta que segue a Palavra até as últimas consequências, que vive aquilo que prega e que jamais negociou a verdade para benefícios temporais.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Os problemas de Mical



Os problemas de Mical

“Ao entrar a arca da Aliança do SENHOR na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo ao rei Davi dançando e folgando, o desprezou no seu coração” (1 Crônicas 15.29).

Mical era a filha mais nova de Saul e foi dada em casamento a Davi para saldar a dívida com aquele que matara o terrível Golias ao invés de Merabe – a mais velha. Por ela, dera um dota a Saul de cem prepúcios filisteus (1Sm 18.27). Contudo esse casamento, que parecia selar uma união definitiva entre os dois primeiros reis de Israel foi maculado pela ira cega de Saul, que percebia se cumprir a profecia de Samuel: “o Senhor rasgou, hoje, de ti o reino de Israel e o deu ao teu próximo, que é melhor do que tu” (1Sm 15.28).

Mical amava Davi (1Sm 18.20) e chega a salvá-lo de seu pai (1Sm 19.12). Apesar do amor que nutria por aquele bravo guerreiro que, como as mulheres cantavam, matara dezenas de milhares (1Sm 18.7), não o acompanhou nem na fuga, tampouco depois. Como parecia abandonada foi dada a Palti, quando Davi já tinha se casado com Abigail (mulher de Nabal). Todavia, ao fazer aliança, com Abner exige a devolução sua primeira esposa.

Davi está introduzindo, em extrema alegria a Arca da Aliança em Jerusalém, e esse estado é justificado, porque havia feito uma tentativa frustrada de retirar a Arca de Queriate Jearim, onde ficara por vinte anos na casa de Aminadabe, Eliézer, Aiô e Uzá, mas por querer fazer de forma equivocada, pois ao invés de transportá-la com vara como mandava a Lei (Êx 27.7), mas com carros de bois como fizeram os Filisteus (1Sm 6.10-12). Essa tentativa foi desastrosa, porque terminou com a morte de Uzá, que foi fulminado tentando segurar a Arca quando os bois tropeçaram (2Sm 6.6-8). Nessa segunda tentativa, buscou agir sem inovações, mas conforme a Palavra e teve êxito. Isso produziu em seu coração grande alegria.

Não nos enganemos de que nossa comunhão com o Senhor é vista por todos. Nossa satisfação no Senhor é vista por muitas pessoas como irracional e digna de desprezo. A genuína vida cristã é claramente compreendida apenas por aqueles que compartilham dela no Espírito Santo, ou seja, aqueles que tiveram seus corações abertos pelo milagre da regeneração. Os demais indivíduos se contentam com uma religiosidade cheia de distinções e limites preestabelecidos e estão prontos a condenar os supostos excessos como fanatismo ou loucura.

Mical é uma mulher amargurada que se apaixonou muito mais por uma ideia do homem que Davi seria do que por quem ele realmente era. Uma mulher se apaixonou pelo guerreiro ou por um rei forte, mas descartou o melhor daquilo que Davi era. Ela despreza Davi por causa de três problemas: teológico-arrogância, social-orgulho e pessoal-inveja.

O problema teológico da Primeira esposa de Davi se dava na falsa crença de que sua adoração era um “gloriar-se” e um “descobrir-se, revelar-se” indigno a um Rei, pois no seu sarcasmo afirma: “Como se cobriu de glória o rei de Israel, descobrindo-se à vista das servas dos seus ministros, como faria um palhaço qualquer” (1Sm 6.20). Lembremo-nos de que seu pai, Saul, não era conhecido por sua piedade. Era algo improvável estar entre os profetas (1Sm 10.12), não consegue esperar Samuel para oferecer o sacrifício, o que lhe era vedado fazer (1Sm 13.10-13), tampouco foi capaz de obedecer a ordem se dizimar tudo em Amaleque (1Sm 15.10-16). No final da vida, consulta uma necromante (ou medium) para de alguma maneira se orientar o que o faz mais condenável (1Sm 28, veja a proibição Lv 19.31; 20.6,27; Dt 18.11). Cuidado! Não estou defendendo de que as crianças são uma continuação dos pais, reconheço, como a Palavra, que alma que pecar essa morrerá (Ez 18.4), mas muito de nossa formação ou deformação é influenciada pela educação familiar.

Esse testemunho duvidoso de religião foi oferecido a Mical desde a mais tenra idade. Foi lhe transmitida a ideia enganosa de que os desejos do Rei regulavam até mesmo o culto. Davi entende diferente: “perante o SENHOR, que me escolheu a mim antes que teu pai e toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe do povo do SENHOR, sobre Israel, perante o Senhor tenho me alegrado e mais desprezível me farei e me humilharei aos meus olhos e, quanto às servas, de quem falaste, elas serei honrado” (2Sm 6.21,22).

Davi entende que ele, por ser Rei, não era melhor diante do Senhor do que todo o povo. O Senhor ouve a mesma oração do Governante e do governado. Em Nínive, o mesmo arrependimento requerido do povo foi praticado pelo Rei (Jn 3.6).

O problema teológico de Mical é arrogância, contudo, quando vemos o descendente de Davi – Jesus – que se assenta no trono eternamente para um reinado sem fim, Paulo afirma: “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de um servo” (Fl 2.7)

O problema social de Mical é identificado no fato de que a postura de Davi diante do povo deveria ser diferente. Deveria governar quase como um semi-Deus. Cheio de uma empáfia idólatra e prejudicial. Davi não estava disposto a se humilhar por qualquer motivo, já se humilhara para proteger sua vida diante do Rei Filisteu se fazendo de louco (1Sm 21.10-15), mas irá fazer até mesmo aquilo que aos seus olhos parece humilhante desde que agrade a Deus. Davi não quer agradar os homens imitando o culto pagão socialmente reconhecido, mas quer adorar unicamente o Senhor.

Davi não se vê maior do que o povo pelo simples fato de governar a Israel, mas reconhece, que ocupa essa lugar, porque foi colocado nessa posição pela graça e a misericórdia dAquele que o retirou detrás das ovelhas de seu Pai, Jessé.

O problema social de Mical está em acreditar que existem homens melhores do que os outros, o tão nocivo orgulho, mas Jesus também não temeu ser reconhecido como homem, pois a Palavra afirma que “reconhecido em figura humana, a si se humilhou, sendo obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2.8).

O problema pessoal da ex-mulher de Palti se ouve em uma comparação de Davi ao rei que conhecera em Saul, homem alto e aparentemente corajoso (porque não ousou enfrentar Golias). Talvez Mical, em sua amargura, via seu marido como um usurpador da dinastia que fora de sua família, que agora restabelecia casamento com ela para angariar melhor posição com os benjamitas.

O problema pessoal de Mical é a inveja, mas devemos imitar o esvaziamento e a humilhação de Jesus para sermos exaltados, porque, o nosso suficiente Salvador foi exaltado “sobremaneira e lhe deu nome acima de todo nome” (Fl 2.9).

Cuidado para não desprezar o melhor de alguém como fez Mical com os sentimentos vis da arrogância, orgulho ou inveja e entende que essas inimigos podem funcionar como ruídos que dificultam as pessoas ímpias de admirarem o seu genuíno amor pelo Senhor.