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sexta-feira, 2 de março de 2018

Tempus Fugit



Tempus Fugit

Ontem estava vendo fotos antigas. Daquela época em que se revelavam filmes de 24 ou 36 poses que eram guardados em álbuns preciosos. São como cápsulas do tempo que mostram como fomos magros ou menos gordos, como alguns que ostentavam cabelos ao vento, hoje, uma cabeça brilhante. Mostra pessoas que foram importantes, mas que passaram, outras, que apesar de completamente pertinentes, utilizando o eufemismo do poeta Manuel Bandeira “dormem profundamente”. Mostra como nosso sorriso ingênuo e confiante foi substituído, aos poucos, por uma face menos flexível e amadurecida.

Uma das definições mais interessantes sobre o tempo é do autor afegão, Khaled Hosseini, em A Cidade do Sol, “o tempo é o mais inclemente dos incêndios” (p.161). Assim como o fogo devasta tudo, igualmente, ninguém pode fugir dos rigores nefastos do maquinário do relógio. Sulca nossa face, encanece os cabelos que restam, tira nossas moedeiras e esvai nossa força (Ec 12.1-5) com tanta sutileza que só nos sentimos roubados na falta da força, da visão, do vigor dos dias de antes.

Mexendo nos meus álbuns velhos percebi que as pessoas são perecíveis e logo vão embora. Moisés compara nossa vida à relva que pela manhã floresce, mas, à tarde, está seca e precisa ser cortada pela manhã (Salmo 90.3-5). Calvino, comentando o Salmo 90, afirma que “os homens estupidamente se gloriam de sua excelência, visto que, quer queiram quer não, são constrangidos a olhar para o tempo por vir e, tão logo abrem seus olhos, percebem que são arrastados e apresentados à morte com incrível rapidez, e sua excelência em um instante se desvanece”. Precisamos de forma urgente entender que as coisas são infinitamente menores do que as pessoas. É inevitável que as pessoas partam, mas é uma escolha contínua se vamos nos lembrar delas pela ótica do remorso ou da saudade.

Percebi que muitos dos meus sonhos e dos meus medos ficaram naqueles tempos. Salomão nos mostra que ao ser humano foi concedida a capacidade de planejar, entretanto, é o SENHOR quem dá a palavra certa. (Pv 16.1). Frequentemente, somos tentados a negligenciar os prazeres eternos para chafurdarmos em alegrias efêmeras que nada mais são do que o usufruir as bênçãos de Deus da maneira errada, no tempo inoportuno com pessoas volúveis. Vivemos em um mundo caído onde, continuamente, temos medo, contudo, tal como os amigos de Daniel (Dn 3.18), teremos maior medo de ofender a Deus que aos homens (Mt 10.28; At 4.19).

As pessoas e eu mudamos, mas Jesus é o mesmo sempre (Hb 13.8). Continuamente, apegamo-nos a coisas que mudam, deterioram-se e acabam e quanto mais nossos corações estiverem ligados a esses bens tanto mais será nossa decepção, pois Jesus afirma que onde estiver o teu tesouro, aí também estará o teu coração (Mt 6.21). Servir a Deus e ao mundo sempre é uma tarefa desastrosa (Mt 6.24).
Depois da queda o tempo não serve apenas para marcar os dias, mas também a nossa deterioração, contudo entre as muitas criações que Deus legou ao homem o tempo é uma delas, por isso, não é à toa que Paulo pede para que aproveitemos ao máximo (compremos) as oportunidades (o tempo), porque os dias são maus (Ef 5.16). Hendiksen defende que o cristão necessita usar o seu tempo de maneira adequada, ou seja, mostrando por meio de suas vidas o evangelho de Deus. Oxalá que nas fotos de outrora vejamos em nós um coração desprendido e inteiramente devotado a fazer a vontade do Senhor mesmo que as circunstâncias não sejam as mais favoráveis.

A fuga da mediocridade



A fuga da mediocridade

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), nos anos de Barcelona, em 1928, afirma aos jovens em uma palestra: “o cristianismo oculta em si um gérmen à igreja”. Esse pensamento pode nos soar quase que herética, porque parece que anula e combate o valor da igreja. Contudo não foi isso que a última vítima de Hitler quis dizer. Contudo mostra que a vivência religiosa pode colaborar para uma autêntica vida cristã, mas pode oferecer os subsídios que falsos crentes se utilizam para mascarar suas mais terríveis mazelas em um cristianismo artificial e legalista.

Sem dúvida nenhuma, a igreja, como agência do céu, tem um papel fundamental na formação do crente, contudo os Fariseus, o “Eu” de Romanos 7.14-25 e o Jovem Rico sabem que todo o tesouro que a igreja pode oferecer, separado de um coração regenerado e sincero, é desperdiçado pela vaidade e desejo de glórias humanas (Veja Lucas 18.10-14; Romanos 7.24 e Lucas 18.23). Dessa maneira, vemos uma tendência à mediocridade no sistema religioso que só pode ser combatido pela Palavra pregada e vivida com fidelidade, o que chamamos de Reforma.

A mediocridade é a busca pelo mediano, pelo meramente satisfatório. Será que se essa fosse a têmpera dos mártires teriam dado a vida pelo Evangelho? Tampouco lhes seria requisitado o sangue, porque o cristão medíocre prima por não viver o Evangelho além das paredes da igreja e, por isso, não causa grande impacto, nem destoa tanto assim do mundo ao seu redor.

Esse degenerativo estado de mediocridade leva aquilo que Bonhoeffer chamou de graça barata, ou seja, qualquer obediência que esteja aquém daquela que deve ser dada só a Deus. O crente, nesse estado de letargia, esquece-se do imperativo que Jesus lhe deu: “fazei discípulos” (Mateus 28.19) e só desperta desse vil torpor acordado pela “teologia do martelo”, ou seja, quando os princípios da Palavra são evidenciados e exigem uma postura radical. Um cristão letárgico e entocado em convicções medianas e legalistas provavelmente, em um primeiro momento, pode entender a fiel exposição da Palavra como um acinte, mas todo aquele que é acordado repentinamente só não fica irritado se os motivos que o levaram a despertar são justificados. O mundo urge pela pregação genuína.
Portanto, apesar de muitos crentes decantarem nos momentos calmos a regiões medíocres de cristianismo, contudo esse conforto pode esconder uma falsa piedade cheia de ritos e regras, mas sem o coração contrito e compungido.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Lux Aeterna

Lux Aeterna



Nessa semana, fomos desafiados por nosso maestro, o irmão Jessé, a ouvirmos a música Lux Aeterna (Luz Eterna) do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Essa é uma canção de singular beleza que ouvir faz, no mínimo, bem ao ouvidos. Contudo gostaria de tecer algumas considerações sobre sua letra e contexto dessa bela canção.
Lux Aeterna compõe uma obra maior de Mozart: o sinistro e lendário Requiem, que nada mais é do que as músicas que serão cantadas em um ofício fúnebre.
Mozart nasceu em uma família de músicos e, como gênio, aos cinco anos já tocava e compunha chegando a ganhar um pequeno salário na igreja do Arcebispo de Schrattenbach. Há quem diga que o Requiem fora encomendado pelo músico italiano medíocre Antônio Salieri (1750-1850) que era o compositor oficial do arquiduque José II da Austria e que possuía uma rivalidade com o prodigioso compositor de Salzburgo. Outros dizem que um enviado do conde de Walsegg-Stuppach que perdera sua esposa encomendara no anonimato.
A realidade é que essa foi a última composição desse notável músico. Escrita em Ré Menor, mas que Mozart não conseguiu finalizar. Antes de sua morte prematura atribuída por alguns a um envenenamento provocado por Salieri, outros ao amante de sua esposa, mas, recentemente, a Universidade de Amsterdã constatou que esse gigante morrera de uma infeção de gargante que se espalhou afetando os seus rins. Quem finalizou o Requiem, inclusive Lux Aeterna, foi seu discípulo Franz Xavier Süßmayr (1766-1803).
Mozart foi ligado toda a sua vida a seita Romana. A morte lhe era um tema que misturava medo e atração. Lux Aeterna compõe as músicas de uma missa romana dedicada aos mortos. De fato, a intenção da música e a cosmovisão em que foi desenvolvida é fruto da heresia da seita romana que insiste em orar por aqueles que partiram. Contudo isso não atenua a sua beleza, muito menos nos impede de extrair dela algo a fomentar nossa reflexão.
Na Missa Romana, o Lux Aeterna encontrava-se no momento em que as pessoas se levantavam para participar da Ceia e ela é uma oração que roga que Deus dê a luz eterna ao que morreram confiando na misericórdia do Senhor. O grande erro da música está em acreditar que Deus possa rever seus decretos elegendo o ímpio que rejeitara antes da fundação do mundo. O Senhor não muda de ideia e seus decretos emanam de sua suprema perfeição.
Todavia há uma ideia verdadeira que se sobressaia até mesmo à idolatria e à heresia: a necessidade de uma luz eterna.
Moisés afirma que “a terra estava sem forma e vazia, havia trevas sobre a face do abismo” (Gênesis 1.2). A luz foi a primeira providência do Criador para dar forma ao informe, ordem (cosmos) à desordem (caos) e a primeira providência para dar encher o que estava vazio foi criar luzeiros: o sol para governar o dia e a luz para presidir a noite. Dessa maneira, percebemos que o natural era o caos e as trevas e que a ordem e a luz têm como fonte a graça.
Mesmo antes de Adão pecar luz e trevas alternavam-se, contudo, na sua infinita sabedoria, Deus fez que um amontoado rochoso branco fosse preso a terra pela gravidade. Apenas o Criador poderia calibrar o força gravitacional de tal maneira que a lua estaria sempre caindo, contudo sem ser tão pesada que caísse na terra e nos esmagasse e nem tão leve que se perdesse na imensidão do espaço, mas presa por esse miraculoso laço reflete a luz solar em nossas noites para nos advertir que a luz resplandece nas trevas.
O sol e a lua funcionaram como parábolas que apontavam para Jesus Cristo, o sol nascente que veio das alturas nos visitar (Lucas 1.78), uma luz que as trevas não podem prevalecer (João 1.5) e que erradia seu esplendor de tal maneira que aqueles que creem nele não andam nas trevas (João 12.46).
Se essa luz que emana de Jesus já irradia os crentes e os faz ter uma vida diferente (1João 2.9) agora, enquanto esperamos a “liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8.21), muito mais quando o Senhor vier com novos céus e nova terra. João afirma que o Cordeiro será uma lâmpada tal que não será mais necessário nem o sol nem a luz, assim como sua luminosidade extinguirá a própria noite (Apocalipse 21.23-27).
A noite sempre inspirou medo no homem, pois o deixa cego e a mercê de perigos mortais. Até mesmo o ímpio Mozart em seu desespero diante da morte e sua angústia nas adversidades da vida sentia que era necessário o findar da noite. Então podemos dizer, amparados nas Escrituras, ó noite, teu lugar terá um fim. Aquele que criou a luz há de destruí-la naquele glorioso dia quando os eleitos verão a Luz Eterna que é o própria Jesus Cristo.

A ÁRDUA TAREFA DE SE RELACIONAR COM PESSOAS DIFÍCEIS

A árdua tarefa de se relacionar com pessoas difíceis



Existe um provérbio português que diz: “o ataque é a melhor defesa”, que defende a demonstração hostilidade é uma atitude protetiva a qualquer problema que outras pessoas possam nos ocasionar. Contudo, se mostramos agressividade às situações que não acontecerão que dirá daquelas que fatalmente se efetivam? Dessa maneira, como reagir diante do mal? Diante da hostilidade alheia, como responder? Como reagir diante de uma atitude que me prejudicou?
A terceira lei de Newton afirma que toda ação tem uma reação aposta e em igual intensidade. Naturalmente dentemos a responder o bem o com o bem e o mal com o mal na proporção em que fomos atingidos. Acreditamos até pelo fato de sermos prejudicados temos o direito de agir de igual forma. Contudo essas propostas não passam pelo crivo das Escrituras, pois Paulo nos orienta de forma inspirada: “a ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens” (Romanos 12.17).
No capítulo 12, desde o versículo 9, Paulo está tratando de virtudes cristã e entre elas apresenta a virtude de não pagar o mal com o mal. A ideia de de Paulo é que o cristão, diante de uma atitude alheia que o prejudicou não tem o direito, aparentemente, natural de responder na mesma moeda. O Apóstolo dos Gentios está repetindo a ideia do Mestre em Mateus 5.43-45.
Jesus afirma: “Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo”. Essa é uma referência a Levítico 19.18 e Jesus não tem como objetivo criticar a lei, mas mostrar como ele veio dar pleno cumprimento a ela (Mateus 5.17). Os comentaristas bíblicos Beale e Carson mostram que Jesus proclama uma nova ética que não está restrita aos padrões de um país, mas tornam-se universais. Jesus não está flexibilizando os padrões da lei, mas tornando-os mais rígidos, pois obriga a transcender as meras aparências e estabelecer uma vida completamente comprometida com o evangelho.
Se nos parece habitual odiar nossos inimigos, amaldiçoar os que me perseguem, mas os imperativos de Jesus são outros e só podem ser levados a efeito pela graça, pois ordena a amar nossos inimigos e bendizer aqueles que nos amaldiçoam. Esse ensino estava presenta até mesmo no Pentateuco (Êxodo 23.4,5).
O motivo dessa conduta é “para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5.45). Cuidado! Jesus não está dizendo que nos tornamos filhos de Deus a partir daquilo que fazemos. Nossa adoção se deu pela graça e soberania de Deus (Veja João 1.11-14; Romanos 8.15; 9.4; Gálatas 4.5; Efésios 1.5). Contudo nossa atitude frente aos nossos inimigos e àqueles que nos amaldiçoam evidenciam nossa filiação, pois os filhos tendem a imitar seus pais e nosso Pai celestial “faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos” (Mateus 5.45b).
Conviveremos com pessoas difíceis na maior parte do tempo. Quase nunca seremos correspondidos em nossas expectativas. Temos dois caminhos: aquele oferecido pelo mundo o que implica praticar o mal e amaldiçoar ou o proposto pelas Escrituras, pautado pela oração e ver o lado bom das pessoas. Neste caminho há graça, naquele armas e sofrimento.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Promessas de Ano Novo


Promessas de Ano Novo


Mais um ano chega ao fim. No final do anterior, fizemos muitos programas que tinham tudo para dar certo, mas, prestes a trocar mais um calendário, vemos que a maior parte das coisas não aconteceu como queríamos. De fato, muitos dos nossos fracassos são frutos de nossos descasos, negligências e falta de empenho, contudo outros não sucederam por mais que tivéssemos nos esforçado. Lidar com aquelas falhas é compreensível, porque basta que nos dediquemos mais. Entretanto como lidar com estas frustrações que fogem do nosso controle?

Essas situações evidenciam limites e revelam a incapacidade de gerir todas as áreas de nossa vida. Estamos a mercê de uma poder que abarca o mundo todo e essa irresistível autoridade é o próprio Criador. Foi em submissão a esse Soberano Deus que Abraão subiu o Moriá e que Moisés apenas contemplou a Cidade que corre leite e mel do monte Pisga ou Jó se resignou diante daquele lhe deu todas as coisas e as poderia retirar segundo sua vontade. Tiago nos orienta que devemos ter por motivo de grande alegria o passar por diversas tribulações, porque a finalidade delas é produzir em nós perseverança (Tiago 1.2,3).

O Pastor presbiteriano Timothy Keller afirma: “algumas vezes Deus parece estar nos matando quando na verdade está nos salvando”. Caro leitor permita-me um exemplo: imagine que alguém que você ame passe mal e a única oportunidade que tem de se salvar esteja em uma cirurgia. Por que o entregamos na mão de um médico para que com um bisturi seja aberto, depois mexido e costurado? Isso acontece, porque sabemos que esse profissional estudou e se preparou para tal procedimento e confiamos na sua experiência e na competência de sua equipe. Dessa maneira, por mais evasivo que seja o tratamento, sabemos que é o melhor a ser feito. Não exitamos. Por que não temos a mesma confiança nAquele que fez o médico e detém todo o conhecimento e a própria vida?

Exigimos provas de Deus, mas nenhum paciente senta-se diante do médico e diz: “tudo bem, o senhor irá me operar, mas não antes que eu veja seu curriculum ou as notas que você teve na faculdade”. O Senhor, conhecendo nossas mais íntimas necessidades, nos deu uma prova cabal: o fato de ter Cristo morrido por nós enquanto éramos pecadores (Romanos 5.8). Essa confiança ´´e crucial nos momentos adversos, contudo só pode existir nos eleitos por causa do Espírito Santo que opera a graça da fé salvadora (Efésios 2.8) no coração pelo ministrar da Palavra de Deus e dos sacramentos de forma ordinária.

Keller entende que nosso coração possui uma incrível capacidade e produzir ídolos, ou seja, “tomar uma alegria incompleta desse mundo e construir a vida inteira entorno dela”. Os ídolos nem sempre são coisas ruins, mas, geralmente, são pessoas, trabalho, o sexo, o amor de alguém, o poder ou o sucesso, etc., mas elevados como algo absoluto. Esse obstáculo na nossa relação com Deus está na nossa imaginação quando não estamos fazendo nada e nos dá a sensação de que sem eles seremos completamente infelizes. Keller defende que “a idolatria não é apenas um fracasso em obedecer a Deus; é uma marca de que o coração inteiro está em algo além de Deus”. Eles não podem ser arrancados, mas substituídos pelo real Senhor de nossas vidas, Jesus Cristo.

É por essa fé miraculosa que Abraão caminha o Moriá segurando o cutelo que desferiria o golpe mortal naquele que foi o herdeiro da promessa, contudo “julgando que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar; e daí também em figura o recobrou” (Hebreus 11.19). Deus estava tratando o coração do Pai de Isaque que poderia se esquecer que ele seria o melhor pai quanto mais amasse o Senhor sobre todas as coisas. Existem inúmeros pais que tomam seus filhos como ídolos e exigem que cumpram seus sonhos e os redimam.

Moisés precisava compreender que a entrada do povo na Terra Prometida não dependia dela e da determinação que tivera, tampouco a sua presença lá seria mais fundamental que a divina providência. Necessitava entender que nada era maior do que Deus inclusive para ele próprio.

Assim como o cirurgião parece estar matando o seu paciente rasgando-o, Deus parecia estar matando Abraão, Moisés, eu ou você, mas, na verdade, está tratando o mais profundo de nós, destruindo os ídolos que não podemos ver, dando a paz que excede todo entendimento capaz de guardar nossa mente e nosso coração em Cristo Jesus.

Saiba que nesse ano vindouro as coisas podem ser diferentes ora para melhor ora para pior, mas o cuidado de Deus supera a troca dos calendários, estará ao seu lado quando tiver fome para que se multipliquem os pães; quando o encapelado mar atentar contra sua vida, Jesus se levantará vitorioso para ordenar que seu mar se emudeça e mesmo que a morte venha com desejo fatal saiba que Jesus é a ressurreição e a vida e ainda que morramos ressuscitaremos com Ele.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O Crente e o Natal

O crente e o natal

Quem não se assustaria ao ver alguém vestindo um grosso agasalho de lã nos dias de mais denso calor? Contudo todos convivem e respeitam o Papai Noel que, como a advento do ar condicionado, tem dias mais agradáveis em centros comerciais. Quantos já viram um pinheiro coberto de neve? Tirando aqueles que puderam viajar para o exterior ou em filmes e cartões postais isso é algo inimaginável em nosso clima tropical. Com certeza, natal é um fenômeno que merecia um estudo mais aprofundado.
Sem dúvida o natal é uma festa singular, pois apesar de parecer avesso a nossa cultura clima irradia ternos sentimentos nas pessoas e permite um aquecimento ímpar de nossa economia. O missionário presbiteriano Rev. Ashebel Green Simonton registra em seu diário que não teria natal no ano de sua chegada, pois não concebia essa festa em pleno verão.
Tirando as datas cívicas, todas as nossas festividades são de influência europeia e foram transmitidas pelos nossos colonizadores ou pelos diversos imigrantes que encontraram em nosso solo oportunidade de vida. As misturas culturais de nosso pais (do europeu, do índio e do africano) permitiram que muitas festas ganhassem em nosso país um rosto único.
O Natal, por causa do catolicismo popular, se integrou em nossa cultura em sem perder os símbolos europeus. Tem forte apelo às pessoas o fato de ver uma criança entregue a futura morte em flagelo inominável. Todavia essa festa tem encontrado alguns problemas: o fato de sua influência pagã e o consumismo latente.
A influência da teologia neopuritana tem feito muitas igrejas a deixar de comemorar essa data. Puritano, segundo o Rev. Augustus Nicodemus Lopes, no texto “Sobre puritanos, puritânicos e neopuritanos”, foi um termo dado a ministros e pastores ingleses entre o séc. XVI e XVIII presbiterianos, batistas e congregacionais que defendiam um alto grau de pureza. Segundo Manoel Canuto, no texto “Em que os alcunhados Neopuritanos são semelhantes aos Puritanos, hoje no Brasil”, os puritanos eram conhecidos como teólogos da santidade e foram exemplos de piedade e ortodoxia.
Os puritanos tiveram um papel muito importante na história da igreja e assim como a Reforma Protestante nos deixaram um grande legado em obras teológicas de referência, mas suas ideias devem ser interpretadas à luz das Escrituras, pois só elas são inerrantes e nossa única regra de fé e prática.
De fato, o Natal não era uma data religiosa contemplada pelos puritanos e chegaram a proibi-lo na Inglaterra e Estados Unidos nos séculos XVI e XVII. Na Inglaterra, esta festa foi proibida em 1644 pelo parlamento puritano e só voltou a ser comemorado em 1660 com a ascensão de Carlos II e voltou a ser feriado apenas em 1856. O Peregrinos que desembarcaram do Mayflower baniram o Natal em Boston de 1659 a 1681 e apenas em 1870 o 18º presidente Ulysses Grande (1822-1885) declarou o dia 25 de dezembro como feriado. O líder romano Padre Paulo Ricardo afirma que os Protestantes quase acabaram com o Natal na Inglaterra e na América Inglesa, contudo o fizeram pelas seguintes razões:
·      O dia 25 de dezembro não é o dia do nascimento do Senhor Jesus. Partindo do pressuposto de que Zacarias servia no turno de Abias (Lc 1.5. Os levitas se dividiam em 24 turnos que ministravam durante 15 dias duas vezes ao ano no templo [Veja 1Cr 24.1-19] e o turno de Abias era o oitavo turno [1Cr 24.10]) que caia no mês de Tamuz (junho e julho, quarto mês judaico [Veja Jr 39.2 e Zc 8.19]) e quando terminou seu serviço sua esposa concebeu João Batista (Lc 1.23,24). Sabendo que Jesus tem seis meses de diferença de João (Lc 1.26) o Senhor teria sido concebido no final de Tebede (dezembro e janeiro) e início de sebate (janeiro e fevereiro), nascendo no mês de etenim (setembro e outubro) quando os judeus comemoravam a festa dos tabernáculos;
·      No dia 25 de dezembro, os romanos comemoravam a festa do Deus Sol conhecida como solis invictus (sol invicto) a mando do Imperador Aureliano. Nessa data acontece no hemisfério norte o solstício de inverno (a noite mais longa do ano) e na mentalidade pagã era o próprio nascimento do sol chamada de Brumália e era realizada logo após a Saturnália (festa e honra ao deus saturno) que acontecia do dia 17 a 24 de dezembro. Essas eram festa populares entre os pagãos e tem origem desde de o Egito, onde o sol também era visto como uma divindade (deus Rá ou Ré);
·      Não há nenhuma orientação bíblica para que essa data seja comemorada (por isso os puritanos também não comemoravam a Páscoa e o Pentecostes). Os Puritanos se orientavam pelo princípio regulador do culto: “A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras” (Confissão de Fé de Westmnister XXI.1);
·      Passa a ser comemorado pela igreja a partir do século IV quando a Igreja começa a se desviar se transformado no que chamamos de Igreja Romana.
Os símbolos de natal eram igualmente repudiados, pois eram provenientes da cultura pagã:
·      A árvore de natal: os pagãos tinham o costume de enfeitas as árvores no inverno para que os espírito delas retornasse depois do inverno;
·      A guirlanda: era o ornamento próprio dos lugares de culto pagão.
Não vemos como um problema a comemoração do Natal pelos seguintes motivos:
1.)             O que a data significou no passado não é importante, mas que ele significa hoje: os pagãos só poderiam interpretar de maneira precária o solstício de inverno, pois, carentes da iluminação do Espírito, “mudaram a glória do Deus incorruptível em imagem de homem corruptível” (Rm 1.23). Contudo, nós que conhecemos a Palavra não podemos ver a revelação geral do Senhor de outra maneira a não ser contemplando seus atributos invisíveis, tal como seu eterno poder. Não estamos dizendo

Sobre essa tendência neopuritana concordamos quando o Rev. Augustus Nicodemus Lopes afirma que o transplante do puritanismo que floresceu na Inglaterra e na Escócia entre os séculos XVI e XVIII necessitam de traços históricos que não existem hoje, porém podemos com sucesso utilizar sua teologia e imitar sua piedade. O Pastor John MacArthur defende que devemos comemorar o Natal, pois Romanos 14.5-6 nos dá liberdade para celebrarmos ou não dias especiais. Portanto, comemoremos como os anjos e o pastores.

O sentido do Natal


O sentido do Natal


O Natal chegou e já nos acostumamos com as imagens peculiares de uma festa tão popular quanto mal comemorada. É, igualmente, comum que nos façamos a pergunta “clichê”: qual o verdadeiro sentido do Natal?. É uma indagação tão trivial e redundante, quando a incapacidade de respondê-la adequadamente.

Acaso o Natal se resume a figura de um velhinho afetuoso que, apesar do verão, insiste na vestimenta de inverno; enquanto se pede carrinho ou boneca do seu saco mágico só saem balinhas; viaja de renas voadoras no dia vinte e quaro de dezembro, mas chega no “Shopping” de helicóptero. Essa é a magia do Natal? Com certeza não!

Será, então, uma festa cheia de comida e bebida? Onde famílias, que o ano inteiro viveram longe, estreitam seus laços por bem ou por conveniência? Evidentemente não é esse o sentido dessa festa! Talvez sejam as luzes e os enfeites que mexam com as pessoas? Será os comerciais bem elaborados e divertidos onde se ensina como cantar a mesma canção ou comprar mesma bebida de maneiras diferentes? Obviamente não! O verdadeiro sentido do Natal é Jesus.

Não tenho aqueles pudores de rejeitar o Papai Noel e impedir que minhas filhas o vejam por medo de perderem o foco. Isso é uma questão cultural. Sei que nós, como pais, e a igreja, como família da fé, temos apontado para elas a manjedoura de Belém como a realidade mais profunda dessa comemoração. Buscar familiares e encher a barriga com galináceos e outros gêneros alimentícios só terá sentido se estivermos dispostos a nos doar nessa relação como Jesus se doou por nós na cruz (Filipenses 2.7), a natural extensão da manjedoura. Quando o Emanuel é o centro de nossas vidas tudo fica em segundo plano até a nossa própria existência.

Muitos Evangélico dirão que Jesus não nasceu no dia vinte e cinco de dezembro e isso é verdade. Dirão que essa foi a maneira da igreja cristianizar a data pagã do solis invictus, a superstição ímpia de que, no solstício de inverno, o sol, apesar de perder a luta contra as trevas, saia vigoroso, vencedor, irradiando sua luz absoluta. Mas não foi Zacarias, de forma inspirada, que comparou o Messias ao sol nascente dizendo: graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” (Lucas 1.78,79)?

Contudo não é dever contínuo da igreja recordar-se e render graças a Deus pelo fato do Senhor ter cumprido a promessa feita a nossos primeiros pais, quando falando a serpente (diabo – Apocalipse 20.2) prometeu: “porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3.15)? Há uma inimizade permanente entre os descendentes da mulher a linhagem de Sete que adoram o Senhor (Gênesis 4.26) e a linhagem de Caim que imitam a conduta diabólica, mentirosa e assassina de seu pai, o diabo (João 8.44). Essas duas sementes convivem no mesmo terreno do mundo como o joio e o trigo até o dia do juízo (Mateus 13.30).

A esperada profecia se concretizou na plenitude do tempo (Gálatas 4.4) quando os mares estavam pacificados aos portadores do Evangelho para que o singrassem sem o perigo de piratas; quando estradas partiam de Roma a todas as extensões do império e a língua grega, compreendida na maior parte do império, permitia a melhor transmissão da Santa Mensagem.

Em um momento da história a jovem Maria pronunciava seu sim, qual nos dias de outrora, quando o Espírito pairava sobre as águas, vinha sobre ela o poder do Altíssimo lha cobriam (Lucas 1.35) de tal maneira que Jesus compactuou na natureza de sua mãe que foi unida a sua natureza divina sem conversão, fusão ou confusão.

O Pai dava seu filho unigênito (João 3.16) e se agradaria em moê-lo a fim de ver o prolongamento de sua posteridade e a vontade do Senhor prosperar em suas mãos (Isaías 53.10). E sanou todos os obstáculos humanos, pois sanou as dúvidas de José (Mateus 1.24) e quando todos fecharam suas portas havia uma manjedoura de maneira que a primeira noite de natal foi vista pelos pastores, os animais e o coro dos anjos.

Lembre-se de que a sua noite de Natal pode não ser a mais luminosa aos olhos dos homens, mas você será feliz se a luz do mundo irradiar seu coração. Talvez não haja a ceia sonhada, mas será farta se o pão da vida já o tiver saciado. Pode não ter um o Papai Noel com um saco de presente nas costas, mas será maravilhosa se você entender que ganhou o maior presente de todos – a vida eterna – daquele que carregou a cruz no seu lugar. O seu Natal não precisa ser bom na perspectiva dos homens se for pleno em Jesus.