He alētheia (a
verdade)
“Enquanto o filho de
Jessé viver, nem você nem o seu reino serão estabelecidos. Agora, mande chamá-lo
traga-o a mim, pois ele deve morrer”.
(1Samuel 20.31)
Há um problema político em Israel. Uma complicada transição
de poder perturba Saul, cuja prioridade não está na luta contra os filisteus ou
a prosperidade do reino, mas a perseguição a Davi na tentativa desesperada, a
qualquer custo, de perpetuar sua dinastia, mesmo que para isso fosse necessário
lutar contra o Senhor.
Depois de 349 anos de Israel ter sido governada por líderes
carismáticos, o povo quer um rei (1Sm 8.5-6,20) mesmo porque essa exigência
tinha respaldo jurídico em Deuteronômio 17.14-20. Samuel é incumbido de mostrar
quão dispendiosa seria a manutenção de uma monarquia (1Sm 8.11-18), contudo,
como afirma a teóloga Baldwin, o povo queria: a.) ser como os outros povos; b.)
serem julgados pelo Rei; c.) serem liderados nas guerras.
Deus afirma a Samuel que eles
não o estavam rejeitando (provavelmente porque seus filhos eram imprestáveis
para o cargo de juízes. Veja 1Sm 8.1-3), por isso, o Senhor afirma: “não foi a você que rejeitaram foi a mim que
rejeitaram como rei” (1Sm 8.7b).
O Criador mostra que esse desejo era fruto da permanente idolatria do povo que,
frequentemente, optou por abandonar-Lo para seguir outros deuses (1 Sm 8.8).
Samuel é instruído a compreender que a idolatria não contaminava apenas o povo
no âmbito religioso, mas inclusive na perspectiva política. Desejar aquilo que
o Senhor permite pelos pressupostos errados é um terrível engano e grande
armadilha.
Saul, o
primeiro rei de Israel foi escolhido pelo povo (1Sm 10.24; 12.13), porque vinha
de uma família influente, rica (1Sm 9.1) e ele próprio era belo, alto (1Sm 9.2)
e bom guerreiro (2Sm 1.22). Exteriormente ele atendia a todos os pré-requisitos
para ser um rei como as outras nações possuíam. Alguns podem dizer que ele
também foi escolhido pelo Senhor, porque foi ungido por Samuel (1Sm 10.1). Mas
existe algo que aconteça sem a permissão do Senhor?
Saul possuía grandes
defeitos que invalidavam seu governo, todavia, por estarem escondidos no
coração e nas entrelinhas de suas ações, não eram perceptíveis às pessoas que
lhe davam vivas, mas estavam latentes diante do olhar mais atento, porque era
tímido (1Sm 10.22), se deixava levar pelo povo e não pelos princípios corretos
(1Sm 13.8-14; 15.24), guiava-se pelo seu próprio coração e não pela obediência
ao Senhor (1Sm 15.8-11, 18,19), invejoso quanto ao sucesso de sua equipe (1Sm
18.8,9), governava para sua vaidade (1Sm 15.12) e com o propósito de se
conservar no poder (1Sm 20.31).
Nesses últimos
meses temos visto essas características no governo de nossa pátria, pois a
negligência em fazer reformas básicas e a mistura de populismo com uma agenda
que visa favorecer amigos e ideais não zelam de forma alguma para o bem-comum,
assim como perturbam quaisquer tentativas de reação a crise que tem
fragilizado, especialmente, os mais pobres.
Por que Deus
levanta pessoas como Saul, Acabe e outros de perfil ímpio? Para exercer
disciplina contra os desejos idólatras de uma nação!
Se compararmos
a escolha de Davi é bem diferente da do seu antecessor, porque era jovem
demais, o filho mais novo de seu pai (1Sm 16.11), não talhado para guerra (1Sm
17.38,39). Porém, enquanto Saul assentava-se no trono e governava de maneira dúbia,
Deus capacitava o homem segundo o seu coração (1Sm 13.14) para pastorear, verdadeiramente,
Seu povo, porque, apesar do filho mais jovem de Jessé nem de longe servir aos
padrões humanos de realeza, mostrou que a liderança não se impõe, mas se
conquista (1Sm 18.16) com coração sensível ao Senhor (Sl 23.1).
Deus viu algo
mais no jovem que tinha gosto por música e cuidava das ovelhas de seu pai. Algo
que nem sua família, tampouco o profeta e ele próprio podiam ver, porque não
foi Davi que se projetou em uma carreira política, mas a vontade boa, perfeita
e agradável prometeu-lhe sucesso e uma dinastia eterna em Jesus.
Muitos exclamam que se não protestarmos nossa governante continuará
nessa rota desastrosa, todavia devemos orar por aqueles que nos lideram (1Tm
2.2) e jamais nos compactuarmos com suas mazelas (Dn 3.18). Nunca haverá tempo
propício para ostentarmos heróis, pois “maldito
é o homem que confia nos homens[...]” (Jr 17.5). Mas esse é o tempo de se
buscar justiça imparcial e completa, porque nossa libertação só pode existir
pelo itinerário divino da verdade.
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