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sábado, 11 de novembro de 2017

A escandalosa pregação da graça


A ESCANDALOSA PREGAÇÃO DA GRAÇA

“Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificares as obras da carne, vivereis” (Romanos 8.12,13)



O conceito de liberdade é muito amplo e, em nossa cultura ocidental, varia da concepção hedonista onde o homem livre é aquele que não se privou de nenhum dos prazeres que essa vida poderia oferecer até a concepção do filósofo francês Jean Paul Sartre (1905-1980) na qual a liberdade é um fardo, pois o homem está condenado a ser livre, ou seja, o ser humano está amalgamado a necessidade, contínua e intransferível, de tomar decisões e responder por elas.

Dessa maneira ,esse conceito vai do prazer à prisão, contudo é possível ser livre? Alguém já usufruiu dessa realidade? Essas são perguntas importantes cuja resposta está no cerne da Palavra de Deus. Sim, já existiram homens completamente livres. Possuíam livre arbítrio, porque estavam em um estado de inocência tal que eram completamente neutros a ponto de agradar ou desagradar o Criador. Esses foram nossos primeiros pais, Adão e Eva. Contudo não perseveraram nessa condição e, dando ouvidos à serpente (o diabo), caíram em um estado de depravação total e como Adão era o cabeça da humanidade essa condição foi transmitida a toda humanidade de tal maneira que,  ao nascermos, somos naturalmente filhos da ira (Efésios 2.3), inimigos de Deus. Nessa realidade, o homem não é livre e é impossível que seja, pois o estado de liberdade lhe é nocivo. Partindo do pressuposto de que o seu coração é corrupto e enganoso (Jeremias 17.9) e maus os seus desígnios, sem a graça, tudo o que o homem fará será rebeldia para com o Senhor.

Sartre via a liberdade como uma prisão, porque o homem que não anda pelo Espírito, por melhores que sejam suas atitudes, cairá na conclusão do piedoso não-regenerado de Romanos 7.19: “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”. No mesmo passo de agrilhoamento, está o conceito hedonista, pois aquele que vive de sensações e prazeres, vive subjugado a eles na ideia fixa de se não servi-los não viverá adequadamente. Como no poema do poeta americano Henry David Thoreau (1817-1862): “Eu fui à floresta, porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente e sugar a própria essência da vida... Expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido”.

A floresta, no poema de Thoureau, é essa liberdade sem limites onde nada pode ser privado, contudo esse conceito em nada se difere do praticado pelos animais e dele só pode surtir a degeneração, contínua e fata, de uma sociedade inteira. A mesma imoralidade que Daniel vira como o barro que enfraquecia o ferro de Roma é a mesma que leva nossa sociedade ao colapso.

A grande notícia que o o evangelho nos comunica é que estamos livres, ou seja, não precisamos dos prazeres dessa vida, nem dos seus tesouros que podem ser comidos de traça, enferrujar e serem roubados, mas aquele que está em Cristo. Aquele que segue a Jesus é rico mesmo privados de todos os bens e feliz, mesmo que nos momentos mais adversos, pois sabe em quem tem crido  e tem certeza de que e poderoso para guardar o seu depósito. Observe o relato do Sadu Sundar Singh a respeito do dia em que foi expulso de casa por ser cristão: “Eu me lembro da noite em que fui expulso de casa - a primeira noite... Passei-a ao relento, sob uma árvore. [...]aquela noite foi a primeira que passei no céu. Uma alegria inexplicável me fazia comparar aquela hora com o luxo da minha casa, onde eu não encontrara paz para o coração. A presença do Salvador transformava o sofrimento em paz”.

Portanto, não existindo liberdade, ou se servirá ao  pecado para a morte  ou a Deus para a vida. Dessa maneira o homem mais livre é aquele que é mais escravo de Jesus Cristo e condiciona sua vida a agradar aquele que lhe resgatou da morte ara a vida e vida eterna.




sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Não eu, mas Cristo: Paulo e a admoestação pública


Não eu, mas Cristo: Paulo e a admoestação pública

“Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E essa nova vida que vivo no corpo , vivo-a, exclusivamente, pela fé no Filho de Deus, que me amou e se sacrificou por mim” (Gálatas 2.20).


Paulo está vendo Pedro na tensão de agradar mais aos homens que a Deus e tem algumas opções de como lidar com esse problema:

· Poderia fingir que nada estava acontecendo. Contudo essa atitude era impossível e desastrosa. A atitude de Pedro estava fazendo discípulos entre os judeus e até mesmo entre Barnabé (Gl 2.13). Ignorar o problema seria fazer o mesmo que os presbíteros de Corinto agiam com o jovem que se deitava com a própria madrasta (1Co 5.1,2). Muitas igrejas, atualmente, optam por essa maneira de agir, todavia Paulo nos orienta que “um pouco de fermente leveda toda a massa” (Gl 5.9), ou seja, mesmo as faltas tidas como leves tem o potencial de serem agressivas, progressivas e fatalmente degenerativas na igreja.

· Poderia ignorar o fato pela autoridade que atribuía a Pedro. Paulo o reputava como coluna da igreja (Gl 2.9). Calvino, comentando Gálatas 2.6, afirma: “Paulo recusa ver seu apostolado obscurecido pela grandeza de qualquer pessoa, pois a autoridade do seu ensino está em íntima conexão com ele”. Ninguém ou nenhuma tradição, advinda de nenhum Concílio, pode ser infalível ou mais correto do que a Palavra de Deus.

· Paulo poderia repreendê-lo de forma reservada. Essa atitude não edificaria o povo de Deus, não corrigiria escândalos, erros e faltas, tampouco promoveria a honra de Deus, a glória de nosso Senhor Jesus Cristo e o bem dos culpados (CD/IPB art.2, parágrafo único). Não estamos, nem de longe, defendendo que houve uma disciplina da parte de Paulo para Pedro, porque nenhum Concílio foi consultado para tal, mas uma severa admoestação que serve para corrigir uma falta e produzir os mesmos efeitos da disciplina. Uma das marcas que atestam a fidelidade de uma igreja é a disciplina, contudo não faltam igrejas dispostas a negligenciá-la a fim de serem mais humanas, mesmo que, para isso, precisem ser menos evangélicas.

A atitude de Pedro em deixar de comer com os gentios e se apartar deles foi uma falta praticada pela livre agência daquele cujo encargo seria pescar homens, pois é uma é uma prática que inferência na doutrina da igreja e que não estava de acordo com a Palavra, assim como, prejudicou a paz e a ordem e a boa administração da igreja de Antioquia (CD/IPB art.4). Tal como afirma a Confissão de Fé de Westminster (XXX,3): “”as censuras eclesiásticas são necessárias para chamar a Cristo os irmãos ofensores, para impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, para purgar o velho fermento que poderia corromper a massa inteira [...]”.

Paulo mostra a Pedro que nossas mais simples opções pecaminosas têm uma inevitável e desastrosa repercussão na teologia e doutrina da comunidade cristã. Paulo mostra a Pedro que não viviam mais como judeus, ou seja, não mais sob os rigores arcaicos das leis cerimoniais, porque foram atingidos por algo maior e melhor: Jesus (Gl 2.15,16 comparar com Fl 3.8), pois ninguém será justificado pelas obras. Dessa maneira se reconstruir os costumes judaicos, mesmo que para agradar a homens, faz de Cristo ministro do pecado, o que é inadmissível (Gl 2.17).

Paulo mostra a Pedro que se ele vivesse e agisse conforme seus desejos consequentemente Cristo não viveria nele, mas se Cristo estivesse vivo nele os desejos da carne deveriam ser mortificados (Gl 2.20 compare com Rom 6.14-17). Não é possível viver nossa carne e Cristo ao mesmo tempo (veja Rm 8.8-9). Portanto, a melhor maneira de agradar a Deus é fazendo nossa carne morrer para que Cristo viva em nós.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Não eu, mas Cristo: Pedro e a tensão de quem agradar


Não eu, mas Cristo: Pedro e a tensão de quem agradar

“Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E essa nova vida que vivo no corpo , vivo-a, exclusivamente, pela fé no Filho de Deus, que me amou e se sacrificou por mim” (Gálatas 2.20)




Pedro era um judeu que seguia a dieta mosaica, pois afirma que nunca comera alimento profano ou imundo (Atos 10.14). Durante anos fora educado sob a égide de Levítico 11, mesmo sendo galileu e vivendo longe dos rigores de Jerusalém.

Contudo Jesus o chamara do lago de Genesaré para deixar as redes e seu barco a fim de ser um pescador de homens (Lucas 5.10).

Ao lado do Mestre comeu na casa do publicano Zaqueu, enquanto a multidão de Jericó murmurava: “entrou para hospedar-se na casa de um pecador” (Lucas 19.7). Em Mateus 12, debulha espigas no sábado sob a aprovação do Messias, assim como o vê curar nesse dia, porque é Senhor do sábado (Mateus 12.8). Observara Jesus tocar um leproso depois do Sermão do monte e conversar com uma Samaritana.

Depois, em Atos 10, está em Jope na casa de um curtidor chamado Simão (Ato 10.6) sem se preocupar que residia em um lugar eivado de impurezas. O curtidor, por estar em constante contato com carcaças mortas de animais, ficava constantemente impuro (Números 19.11-13).

Em um estase, Pedro é preparado pelo Senhor para, como novo Jonas usar a base de Jope não para fugir negando-se pregar aos gentios, mas para aceitar essa empreitada que o Criador lhe confiou. Na casa de Cornélio, centurião da coorte chamada italiana, o Pescador Galileu não estava apenas diante de um gentio, mas de um romano, chefe de cem soldados que que dominavam seu povo. Entretanto, viu o Espírito Santo descer sobre aqueles que os judeus consideravam indignos, percebendo que o Senhor não faz distinção entre o judeu e o gentio (Atos 10.34-35; Romanos 2.11)

Assim, apesar de Pedro trabalhar com judeus (Gálatas 2.9), não era como aqueles que saíram de Jerusalém para obrigar os gentios à circuncisão e a abstinência de alimentos. Entendia como Paulo que a salvação é pela graça(2Pedro 3.15). Todavia passa pela tensão que estreita todos nós: agradar ao homem no lugar de Deus. O Mesmo intrépido apóstolo que não temeu o Sinédrio, mas proclamou que era melhor agradar a Deus que os homens (Atos 4.19), não teve o mesmo comportamento em Antioquia e temeu demonstrar a imparcialidade do Senhor quanto as distinções raciais, pois não só deixou de comer com os gentios, mas também, se apartou deles por ter medo dos da circuncisão.

Essa atitude de Pedro feria em cheio o mais áureo princípio ético de Paulo: “tendes cuidado para que o exercício da vossa liberdade  não se torne um motivo de  tropeço para os fracos” (1Coríntios 8.9). Paulo entendia que Jesus  abolira essas ordenanças cerimoniais (Efésios 2.15) e não passavam de sombras que se concretizaram em Jesus (Colossenses 2.17). Essa atitude infeliz fez adeptos como todo pecado, pois judeus acompanharam-no e até o próprio Barnabé, membro da igreja de Antioquia e companheiro de Paulo na Primeira Viagem Missionária faz o mesmo.

O pecado não existem sem formar seguidores. Dessa maneira, Paulo tem que assumir sua função e repreender Cefas diante de todos, mesmo que o considerasse uma coluna da Igreja. Esse episódio da Palavra mostra que experiência e tempo de igreja não faz ninguém isento de incorrer em maus procedimentos. A admoestação exercida na maneira correta é um remédio eficaz contra a imoralidade que ainde se apresenta como uma erva daninha de caule macio.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Não eu, mas Cristo: introdução


Não eu, mas Cristo: introdução


“Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E essa nova vida que vivo no corpo , vivo-a, exclusivamente, pela fé no Filho de Deus, que me amou e se sacrificou por mim” (Gálatas 2.20)

Esse é um versículo famoso e que traduz a maneira como Paulo observa sua vida depois do caminho de Damasco, assim como, a vida de todos os demais cristãos.

Contudo entende-lo à luz de seu contexto o enriquece e nos aponta para o perigo de vivermos segundo nossos propósitos e tão nocivo quanto, vivermos segundo o interesse dos outros o que até os mais piedosos estão sujeitos a praticar.

A Epístola aos Gálatas foi a primeira Carta paulina, escrita em 48-50 a.C., antes do Concílio de Jerusalém (Atos 15) depois da primeira viagem Missionária quando Paulo organizou a igreja da Galácia do Sul (Atos 13-14).

O propósito dessa carta está claramente expresso em Gálatas 1.6-10. Paulo recebe a notícia de que os gálatas estavam se desviando. Entretanto não porque adotavam uma vida indecente, mas começavam a querer agradar a homens e não a Deus (em contraste com o próprio Paulo—Gálatas 1.10).

Falsos Mestres, chamados de judaizantes, estavam confundindo os gálatas com o “objetivo de perverter o Evangelho” (Gálatas 1.7-9; 2.4). Pregavam que a observância a lei mosaica era essencial para a salvação (Atos 15.1).

Esses judaizantes, que pretendiam pregar que o Evangelho era insuficiente à salvação, também colocavam em dúvida o próprio apostolado de Paulo, por isso, apresenta-se como “apóstolo não da parte de homens, nem por intermédio de qualquer ser humano, mas por Jesus Cristo” (Gálatas 1.1). No capítulo 2, para justificar que seu ministério e doutrina era validada pelos apóstolos mais antigos que estavam em Jerusalém, conta que “reconheceram que a mim foi confiada a pregação do evangelho aos incircuncisos” (Gálatas 2.7), mas também lembra que Tiago, Pedro e João lhe ofereceram a destra de comunhão fraterna (Gálatas 2.9).

Contudo Paulo não enxerga seu apostolado e ministério como ofuscado pela presença de nenhum outro homem, nem mesmo a figura de Pedro (Gálatas 2.6) e para evidenciar isso mostra que repreendeu diante de todos (Gálatas 2.11) esse que julgava uma das colunas da igreja (Gálatas 2.9) quando se tornou se tornou passível de tal. Paulo, assim como todo cristão, não tem compromisso com os homens, mas com Deus que fala pela Palavra. Homens podem errar e cair, mas, no Livro Sagrado, encontramos a verdade (João 17.17).

sábado, 14 de outubro de 2017

A Reforma e a Educação


A Reforma e a Educação


“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele”. (Provérbios 22.6)

Inúmeras pessoas acreditam que Provérbio 22.6 fala sobre salvação e procedem uma hermenêutica estranha cujo resultado seria: a criança que foi bem instruída terá os subsídios necessários para ser salva. Contudo essa posição não encontra suporte nas Escrituras, porque nossa eleição se deu pelo decreto do Senhor antes da fundação do mundo (Efésios 1.4) que o fez pela graça (Efésios 2.8). Dessa forma, é necessário interpretar esse versículo de maneira mais adequada, porque há um princípio áureo na hermenêutica reformada pelo qual a própria Escritura oferece os subsídios necessários para se chegar a único sentido que seu texto possui.

O professor Rev. Daniel Santos entende que esse texto trata a respeito da educação e defende que o grande benefício da disciplina infantil está em preparar os mas jovens para superar os obstáculos impostos pelos ímpios no caminho.

Dessa maneira, os pais e a igreja devem se esforçar por treinar, dedicar, ensinar e consagrar a criança a viver adequadamente. Segundo o Rev. Daniel, o verbo hebraico hanak (ensinar) está ligado a ideia de um edifício que é construído para ser consagrado ao Senhor. Nossos filhos devem ser educados na perspectiva da aliança.

O termo hebraico naar (criança) trata e alguém que é naturalmente estulta e, por isso, precisa ser disciplinada pela vara (Provérbios 22.15), ou seja, alguém em formação.

A criança, por muito tempo, foi considerada um adulto em formação e não são poucos aqueles que acreditam que a igreja deve trabalhar com os infantes para atingir os pais.

Contudo os infantes não são menos dignos de serem evangelizados, porque o próprio Jesus disse que delas, também, era o Reino dos céus (Mateus 19.14).

O professor Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa, falando sobre a importância que a Reforma Protestante do século XVI, cita o historiador Lorenzo Luzuriaga que ressalta a importância desse movimento para a educação: “a Reforma organiza a educação pública não apenas no grau médio, ampliando a ação dos colégios humanistas da Renascença, mas também, e, pela primeira vez, com a escola primária pública”.

A Reforma do século XVI conduziu a igreja cristã corrompida pela idolatria e a superstição de volta a seu verdadeiro lar: as Sagradas Escrituras que fornecem a regra de fé e prática de maneira inspirada, inerrante, plena e suficiente àqueles que foram chamados das trevas para a divina luz.

Martinho Lutero (1483-1546), escrevendo a todos os Conselhos das cidades alemães em 1524, exorta-os a manterem as escolas cristãos nos seguintes termos: “em minha opinião, nenhum pecado exterior pesa tanto sobre o mundo perante Deus e nenhum merece maior castigo do que justamente o pecado que cometemos contra as crianças, quando não as educamos”. O Reformador Alemão entendia que para esse empreendimento obter sucesso era necessário professores especializados e métodos que acompanhassem as mudanças do mundo. Argumentava que o progresso de uma cidade não se dava apenas pela arquitetura e riqueza, mas “muito antes, o melhor e mais rico progresso para uma cidade é quando possui muitos homens bem instruídos , muitos cidadão ajuizados, honestos e bem educados”.

Não foi à toa que o sociólogo Max Weber (1864-1920) notou na obra A Ética Protestante e o Espírito Capitalista (1905) a gritante diferença entre a mão de obra especializada nos países influenciados pela seita Romana e aqueles que aderiram a Reforma. Vemos isso no descontentamento do poeta e escritor realista português Antero de Quental (1842-1891) quando reclama: tais temos sido nos últimos três séculos: sem vida, sem liberdade, sem riqueza, sem ciência, sem invenção, sem costumes”.

Portanto, cabe as nossas igrejas continuar essa tradição para que a posteridade conheças os desafios e necessidades que devem ser aprimoradas. A falta de orientação  adequada tem formado pessoas frágeis e incapazes de lidar com seu limites e desapercebida dos meios necessários para expandir e melhorar suas qualidades.




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

COMO CUIDAR DAS CRIANÇAS?


Como cuidar das crianças?


“Jesus, porém, disse: ‘Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus”. (Mateus 19.14)

Nessas últimas semanas, os evangélicos estão preocupados com as crianças. Essa apreensão se deu pelas pretensas expressões artísticas de Porto Alegre e São Paulo. É inegável que a infância merece toda atenção da igreja. Mas é necessário se perguntar: por que e como?

Talvez você acredite que essas perguntas sejam óbvias demais e que a resposta é: “por que o futuro da igreja depende da infância”. Se você pensa assim, acredite, está redondamente enganado. O futuro da igreja está seguro em Cristo e nossa comunidade local precisa manter-se fiel à Palavra, praticar os sacramentos com fidelidade e exercer a disciplina com responsabilidade bíblica.

Então, caro leitor, esteja perguntando: “se as crianças não funcionam como um fundo de reserva de membros, por que essa preocupação extrema?”

Não fique irritado, tampouco com vergonha de pensar assim. Infelizmente, vivemos dias maus em uma sociedade marcada pelo pragmatismo, ou seja, a ideia de que o valor das coisas e pessoas está embutido naquilo que as pessoas e coisas proporcionam. Como idosos e crianças não conseguem, pela idade ou pela inexperiência, dar um o retorno que essa sociedade corrupta deseja são facilmente desprezados e relegados aos cuidados de outros. Como as crianças são incapazes de se assistirem, são enviadas às creches, assim como, pelo mesmo motivo, os idosos aos asilos. Não sou de maneira alguma contra o ensino infantil, muito menos a existência de creches. Reconheço e utilizo seus serviços. Mas gostaria de alertar para o perigo de uma educação em tempo integral, onde a criança sai dormindo de casa e quando chega desmaia de tão cansada. Essa artimanha satânica atenta contra a família muito mais do que esses últimas bizarrices de uma suposta “arte”.

Respondendo as perguntas: Por que deve se ter atenção extrema às crianças? A resposta vem das Escrituras: “porque delas é o Reino dos céus”. Se você reparar, os mesmos discípulos que repreenderam os pequeninos para que não se achegassem a Jesus não tiveram a mesma atitude com o Jovem rico (Mateus 19.16). A cultura judaica da época do Senhor, assim como a nossa, em grande medida, rejeitava as crianças como pessoas em desenvolvimento e tentavam atingi-las quando adentrassem a idade da razão.

Jesus nos alerta que a criança, em relação ao reino dos céus e a evangelização, em nada se diferencia de nós. Algumas pessoas, especialmente os inimigos do pedobatismo (batismo infantil), argumentam que elas não entendem a mensagem do evangelho. Mas eu lhes perguntaria: “elas não entendem ou nós nos eximimos de compreender a maneira adequada de lhes transmitir essa mensagem?” Com certeza, o que está acontecendo é que negligenciamos de variadas maneiras a evangelização infantil e, quase sempre, acreditamos que, se ela for exercida, deve ser atividade das mulheres. O que isso tem gerado: uma igreja entregue às mulheres, que inclusive cogita ordená-la ao sagrado ministério, mas também, o abundar de meninos cada vez mais efeminados.

Impedir que as crianças cheguem a Jesus é maior atentados contra a infância. Como isso é feito? Impedindo a todo custo que os pequeninos estejam no seio da família para pais, avós e tios, pelo evangelho vivo da pratica inculquem nos tenros brotos da igreja a Promessa da vida em todas as oportunidades do dia a dia (Deuteronômio 6.1-7). A professora da creche não tem essa incumbência que foi dada por Deus aos pais.  Logo, está preocupado com as crianças? Leve-as a Jesus!


sábado, 30 de setembro de 2017

Pedro e o Progresso Espiritual de uma pessoa simples


Pedro e o Progresso Espiritual de uma pessoa simples


“Irmãos, esforçai-vos com dedicação cada vez maior, confirmando o chamado e a eleição com que fostes contemplados, pois se agirdes desse modo jamais abandonareis a fé”. (2Pedro 1.10)
O espírito católico romano que influencia muito nossa cultura teve a péssima contribuição de fazer das pessoas simples que seguiam Jesus em inatingíveis e, aparentemente, tão incorruptíveis quanto o divino Mestre que seguiram.
Pedro é um caso excepcional, pois imputaram-lhe o cargo de ser o primeiro papa dos Romanos em uma interpretação equivocada de Mateus 16.18,19. Percebemos essa incoerência quando vemos Tiago exerce o papel de moderador do Concílio de Jerusalém conforme Atos 15.13.
O Pedro imponente que ostenta as chaves do Reino dos céus não combina, nem de longe, com aquele que conhecemos e nos identificamos nas páginas da Palavra.
Fora eleito “antes da fundação do mundo para ser santo e irrepreensível” (Efésios 1.4). Cremos nessa informação, porque um dia o Senhor o chamou  para ser pescador de homens” (Lucas 5.10) e o irmão de André arrastou seu barco para a praia, renunciou todas as coisas e seguiu Jesus. Esse é um perfeito exemplo de vocação eficaz, ou seja, Deus por seu poder e graça, onipotentes, no tempo aceitável, convida e atrai o eleito e somente ele a Jesus (João 6.44) pelos instrumentos da Palavra e do Espírito. Para que essa suprema bondade angarie o efeito desejado, ilumina o entendimento e renova-lhe a vontade (Veja Catecismo Maior de Westminster, no 67,68). Se não fosse assim, o pescador galileu poderia ter renunciado a o privilégio de estar mais perto de Jesus como fez o Jovem rico (Lucas 18.23).
De fato, Pedro aproveitou o máximo dessa união com o Senhor. Por obra o Espírito Santo reconheceu-O como “o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mateus 16.16). Convidado a seguir aqueles que não andavam com o Senhor reconheceu que não poderia, porque só Jesus tinha palavras de vida eterna (João 6.68). Anulou seu conforto diante da felicidade de estar no monte da transfiguração (Lucas 9.33). Contudo teve momentos em que sua carne falou alto, pois sentiu medo do vento na travessia do mar (Mateus 14.30), tentou dissuadir Jesus de sua paixão e morte (Mateus 16.22,23), fora irascível (João 18.10) e traidor (Lucas 22.61,62). Pedro testemunha a favor da evangelização dos gentios sem impor-lhes a lei mosaica (Atos 15.7-11), todavia é repreendido por Paulo por tentar preservar uma aparência judaica em Antioquia (Gálatas 2.11-14).
Portanto, Pedro, tal como todos nós, foi, diversas vezes influenciado pelo pecado desejando até mesmo deixar o ministério (João 21.3), mas sempre soube qual era o verdadeiro caminho, a fonte das Palavras de vida eterna, quem era o Cristo e, apesar das aparências e erros, amava a Jesus intensamente (21.17) de tal maneira que sequer se achou digno de ser crucificado na mesma posição que seu Mestre. Imitemos esse grande apóstolo na sua humildade (1Pedro 5.1; 2Pedro 3.15) e espírito comprometido.