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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Lux Aeterna

Lux Aeterna



Nessa semana, fomos desafiados por nosso maestro, o irmão Jessé, a ouvirmos a música Lux Aeterna (Luz Eterna) do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Essa é uma canção de singular beleza que ouvir faz, no mínimo, bem ao ouvidos. Contudo gostaria de tecer algumas considerações sobre sua letra e contexto dessa bela canção.
Lux Aeterna compõe uma obra maior de Mozart: o sinistro e lendário Requiem, que nada mais é do que as músicas que serão cantadas em um ofício fúnebre.
Mozart nasceu em uma família de músicos e, como gênio, aos cinco anos já tocava e compunha chegando a ganhar um pequeno salário na igreja do Arcebispo de Schrattenbach. Há quem diga que o Requiem fora encomendado pelo músico italiano medíocre Antônio Salieri (1750-1850) que era o compositor oficial do arquiduque José II da Austria e que possuía uma rivalidade com o prodigioso compositor de Salzburgo. Outros dizem que um enviado do conde de Walsegg-Stuppach que perdera sua esposa encomendara no anonimato.
A realidade é que essa foi a última composição desse notável músico. Escrita em Ré Menor, mas que Mozart não conseguiu finalizar. Antes de sua morte prematura atribuída por alguns a um envenenamento provocado por Salieri, outros ao amante de sua esposa, mas, recentemente, a Universidade de Amsterdã constatou que esse gigante morrera de uma infeção de gargante que se espalhou afetando os seus rins. Quem finalizou o Requiem, inclusive Lux Aeterna, foi seu discípulo Franz Xavier Süßmayr (1766-1803).
Mozart foi ligado toda a sua vida a seita Romana. A morte lhe era um tema que misturava medo e atração. Lux Aeterna compõe as músicas de uma missa romana dedicada aos mortos. De fato, a intenção da música e a cosmovisão em que foi desenvolvida é fruto da heresia da seita romana que insiste em orar por aqueles que partiram. Contudo isso não atenua a sua beleza, muito menos nos impede de extrair dela algo a fomentar nossa reflexão.
Na Missa Romana, o Lux Aeterna encontrava-se no momento em que as pessoas se levantavam para participar da Ceia e ela é uma oração que roga que Deus dê a luz eterna ao que morreram confiando na misericórdia do Senhor. O grande erro da música está em acreditar que Deus possa rever seus decretos elegendo o ímpio que rejeitara antes da fundação do mundo. O Senhor não muda de ideia e seus decretos emanam de sua suprema perfeição.
Todavia há uma ideia verdadeira que se sobressaia até mesmo à idolatria e à heresia: a necessidade de uma luz eterna.
Moisés afirma que “a terra estava sem forma e vazia, havia trevas sobre a face do abismo” (Gênesis 1.2). A luz foi a primeira providência do Criador para dar forma ao informe, ordem (cosmos) à desordem (caos) e a primeira providência para dar encher o que estava vazio foi criar luzeiros: o sol para governar o dia e a luz para presidir a noite. Dessa maneira, percebemos que o natural era o caos e as trevas e que a ordem e a luz têm como fonte a graça.
Mesmo antes de Adão pecar luz e trevas alternavam-se, contudo, na sua infinita sabedoria, Deus fez que um amontoado rochoso branco fosse preso a terra pela gravidade. Apenas o Criador poderia calibrar o força gravitacional de tal maneira que a lua estaria sempre caindo, contudo sem ser tão pesada que caísse na terra e nos esmagasse e nem tão leve que se perdesse na imensidão do espaço, mas presa por esse miraculoso laço reflete a luz solar em nossas noites para nos advertir que a luz resplandece nas trevas.
O sol e a lua funcionaram como parábolas que apontavam para Jesus Cristo, o sol nascente que veio das alturas nos visitar (Lucas 1.78), uma luz que as trevas não podem prevalecer (João 1.5) e que erradia seu esplendor de tal maneira que aqueles que creem nele não andam nas trevas (João 12.46).
Se essa luz que emana de Jesus já irradia os crentes e os faz ter uma vida diferente (1João 2.9) agora, enquanto esperamos a “liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8.21), muito mais quando o Senhor vier com novos céus e nova terra. João afirma que o Cordeiro será uma lâmpada tal que não será mais necessário nem o sol nem a luz, assim como sua luminosidade extinguirá a própria noite (Apocalipse 21.23-27).
A noite sempre inspirou medo no homem, pois o deixa cego e a mercê de perigos mortais. Até mesmo o ímpio Mozart em seu desespero diante da morte e sua angústia nas adversidades da vida sentia que era necessário o findar da noite. Então podemos dizer, amparados nas Escrituras, ó noite, teu lugar terá um fim. Aquele que criou a luz há de destruí-la naquele glorioso dia quando os eleitos verão a Luz Eterna que é o própria Jesus Cristo.

A ÁRDUA TAREFA DE SE RELACIONAR COM PESSOAS DIFÍCEIS

A árdua tarefa de se relacionar com pessoas difíceis



Existe um provérbio português que diz: “o ataque é a melhor defesa”, que defende a demonstração hostilidade é uma atitude protetiva a qualquer problema que outras pessoas possam nos ocasionar. Contudo, se mostramos agressividade às situações que não acontecerão que dirá daquelas que fatalmente se efetivam? Dessa maneira, como reagir diante do mal? Diante da hostilidade alheia, como responder? Como reagir diante de uma atitude que me prejudicou?
A terceira lei de Newton afirma que toda ação tem uma reação aposta e em igual intensidade. Naturalmente dentemos a responder o bem o com o bem e o mal com o mal na proporção em que fomos atingidos. Acreditamos até pelo fato de sermos prejudicados temos o direito de agir de igual forma. Contudo essas propostas não passam pelo crivo das Escrituras, pois Paulo nos orienta de forma inspirada: “a ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens” (Romanos 12.17).
No capítulo 12, desde o versículo 9, Paulo está tratando de virtudes cristã e entre elas apresenta a virtude de não pagar o mal com o mal. A ideia de de Paulo é que o cristão, diante de uma atitude alheia que o prejudicou não tem o direito, aparentemente, natural de responder na mesma moeda. O Apóstolo dos Gentios está repetindo a ideia do Mestre em Mateus 5.43-45.
Jesus afirma: “Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo”. Essa é uma referência a Levítico 19.18 e Jesus não tem como objetivo criticar a lei, mas mostrar como ele veio dar pleno cumprimento a ela (Mateus 5.17). Os comentaristas bíblicos Beale e Carson mostram que Jesus proclama uma nova ética que não está restrita aos padrões de um país, mas tornam-se universais. Jesus não está flexibilizando os padrões da lei, mas tornando-os mais rígidos, pois obriga a transcender as meras aparências e estabelecer uma vida completamente comprometida com o evangelho.
Se nos parece habitual odiar nossos inimigos, amaldiçoar os que me perseguem, mas os imperativos de Jesus são outros e só podem ser levados a efeito pela graça, pois ordena a amar nossos inimigos e bendizer aqueles que nos amaldiçoam. Esse ensino estava presenta até mesmo no Pentateuco (Êxodo 23.4,5).
O motivo dessa conduta é “para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5.45). Cuidado! Jesus não está dizendo que nos tornamos filhos de Deus a partir daquilo que fazemos. Nossa adoção se deu pela graça e soberania de Deus (Veja João 1.11-14; Romanos 8.15; 9.4; Gálatas 4.5; Efésios 1.5). Contudo nossa atitude frente aos nossos inimigos e àqueles que nos amaldiçoam evidenciam nossa filiação, pois os filhos tendem a imitar seus pais e nosso Pai celestial “faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos” (Mateus 5.45b).
Conviveremos com pessoas difíceis na maior parte do tempo. Quase nunca seremos correspondidos em nossas expectativas. Temos dois caminhos: aquele oferecido pelo mundo o que implica praticar o mal e amaldiçoar ou o proposto pelas Escrituras, pautado pela oração e ver o lado bom das pessoas. Neste caminho há graça, naquele armas e sofrimento.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Promessas de Ano Novo


Promessas de Ano Novo


Mais um ano chega ao fim. No final do anterior, fizemos muitos programas que tinham tudo para dar certo, mas, prestes a trocar mais um calendário, vemos que a maior parte das coisas não aconteceu como queríamos. De fato, muitos dos nossos fracassos são frutos de nossos descasos, negligências e falta de empenho, contudo outros não sucederam por mais que tivéssemos nos esforçado. Lidar com aquelas falhas é compreensível, porque basta que nos dediquemos mais. Entretanto como lidar com estas frustrações que fogem do nosso controle?

Essas situações evidenciam limites e revelam a incapacidade de gerir todas as áreas de nossa vida. Estamos a mercê de uma poder que abarca o mundo todo e essa irresistível autoridade é o próprio Criador. Foi em submissão a esse Soberano Deus que Abraão subiu o Moriá e que Moisés apenas contemplou a Cidade que corre leite e mel do monte Pisga ou Jó se resignou diante daquele lhe deu todas as coisas e as poderia retirar segundo sua vontade. Tiago nos orienta que devemos ter por motivo de grande alegria o passar por diversas tribulações, porque a finalidade delas é produzir em nós perseverança (Tiago 1.2,3).

O Pastor presbiteriano Timothy Keller afirma: “algumas vezes Deus parece estar nos matando quando na verdade está nos salvando”. Caro leitor permita-me um exemplo: imagine que alguém que você ame passe mal e a única oportunidade que tem de se salvar esteja em uma cirurgia. Por que o entregamos na mão de um médico para que com um bisturi seja aberto, depois mexido e costurado? Isso acontece, porque sabemos que esse profissional estudou e se preparou para tal procedimento e confiamos na sua experiência e na competência de sua equipe. Dessa maneira, por mais evasivo que seja o tratamento, sabemos que é o melhor a ser feito. Não exitamos. Por que não temos a mesma confiança nAquele que fez o médico e detém todo o conhecimento e a própria vida?

Exigimos provas de Deus, mas nenhum paciente senta-se diante do médico e diz: “tudo bem, o senhor irá me operar, mas não antes que eu veja seu curriculum ou as notas que você teve na faculdade”. O Senhor, conhecendo nossas mais íntimas necessidades, nos deu uma prova cabal: o fato de ter Cristo morrido por nós enquanto éramos pecadores (Romanos 5.8). Essa confiança ´´e crucial nos momentos adversos, contudo só pode existir nos eleitos por causa do Espírito Santo que opera a graça da fé salvadora (Efésios 2.8) no coração pelo ministrar da Palavra de Deus e dos sacramentos de forma ordinária.

Keller entende que nosso coração possui uma incrível capacidade e produzir ídolos, ou seja, “tomar uma alegria incompleta desse mundo e construir a vida inteira entorno dela”. Os ídolos nem sempre são coisas ruins, mas, geralmente, são pessoas, trabalho, o sexo, o amor de alguém, o poder ou o sucesso, etc., mas elevados como algo absoluto. Esse obstáculo na nossa relação com Deus está na nossa imaginação quando não estamos fazendo nada e nos dá a sensação de que sem eles seremos completamente infelizes. Keller defende que “a idolatria não é apenas um fracasso em obedecer a Deus; é uma marca de que o coração inteiro está em algo além de Deus”. Eles não podem ser arrancados, mas substituídos pelo real Senhor de nossas vidas, Jesus Cristo.

É por essa fé miraculosa que Abraão caminha o Moriá segurando o cutelo que desferiria o golpe mortal naquele que foi o herdeiro da promessa, contudo “julgando que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar; e daí também em figura o recobrou” (Hebreus 11.19). Deus estava tratando o coração do Pai de Isaque que poderia se esquecer que ele seria o melhor pai quanto mais amasse o Senhor sobre todas as coisas. Existem inúmeros pais que tomam seus filhos como ídolos e exigem que cumpram seus sonhos e os redimam.

Moisés precisava compreender que a entrada do povo na Terra Prometida não dependia dela e da determinação que tivera, tampouco a sua presença lá seria mais fundamental que a divina providência. Necessitava entender que nada era maior do que Deus inclusive para ele próprio.

Assim como o cirurgião parece estar matando o seu paciente rasgando-o, Deus parecia estar matando Abraão, Moisés, eu ou você, mas, na verdade, está tratando o mais profundo de nós, destruindo os ídolos que não podemos ver, dando a paz que excede todo entendimento capaz de guardar nossa mente e nosso coração em Cristo Jesus.

Saiba que nesse ano vindouro as coisas podem ser diferentes ora para melhor ora para pior, mas o cuidado de Deus supera a troca dos calendários, estará ao seu lado quando tiver fome para que se multipliquem os pães; quando o encapelado mar atentar contra sua vida, Jesus se levantará vitorioso para ordenar que seu mar se emudeça e mesmo que a morte venha com desejo fatal saiba que Jesus é a ressurreição e a vida e ainda que morramos ressuscitaremos com Ele.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O Crente e o Natal

O crente e o natal

Quem não se assustaria ao ver alguém vestindo um grosso agasalho de lã nos dias de mais denso calor? Contudo todos convivem e respeitam o Papai Noel que, como a advento do ar condicionado, tem dias mais agradáveis em centros comerciais. Quantos já viram um pinheiro coberto de neve? Tirando aqueles que puderam viajar para o exterior ou em filmes e cartões postais isso é algo inimaginável em nosso clima tropical. Com certeza, natal é um fenômeno que merecia um estudo mais aprofundado.
Sem dúvida o natal é uma festa singular, pois apesar de parecer avesso a nossa cultura clima irradia ternos sentimentos nas pessoas e permite um aquecimento ímpar de nossa economia. O missionário presbiteriano Rev. Ashebel Green Simonton registra em seu diário que não teria natal no ano de sua chegada, pois não concebia essa festa em pleno verão.
Tirando as datas cívicas, todas as nossas festividades são de influência europeia e foram transmitidas pelos nossos colonizadores ou pelos diversos imigrantes que encontraram em nosso solo oportunidade de vida. As misturas culturais de nosso pais (do europeu, do índio e do africano) permitiram que muitas festas ganhassem em nosso país um rosto único.
O Natal, por causa do catolicismo popular, se integrou em nossa cultura em sem perder os símbolos europeus. Tem forte apelo às pessoas o fato de ver uma criança entregue a futura morte em flagelo inominável. Todavia essa festa tem encontrado alguns problemas: o fato de sua influência pagã e o consumismo latente.
A influência da teologia neopuritana tem feito muitas igrejas a deixar de comemorar essa data. Puritano, segundo o Rev. Augustus Nicodemus Lopes, no texto “Sobre puritanos, puritânicos e neopuritanos”, foi um termo dado a ministros e pastores ingleses entre o séc. XVI e XVIII presbiterianos, batistas e congregacionais que defendiam um alto grau de pureza. Segundo Manoel Canuto, no texto “Em que os alcunhados Neopuritanos são semelhantes aos Puritanos, hoje no Brasil”, os puritanos eram conhecidos como teólogos da santidade e foram exemplos de piedade e ortodoxia.
Os puritanos tiveram um papel muito importante na história da igreja e assim como a Reforma Protestante nos deixaram um grande legado em obras teológicas de referência, mas suas ideias devem ser interpretadas à luz das Escrituras, pois só elas são inerrantes e nossa única regra de fé e prática.
De fato, o Natal não era uma data religiosa contemplada pelos puritanos e chegaram a proibi-lo na Inglaterra e Estados Unidos nos séculos XVI e XVII. Na Inglaterra, esta festa foi proibida em 1644 pelo parlamento puritano e só voltou a ser comemorado em 1660 com a ascensão de Carlos II e voltou a ser feriado apenas em 1856. O Peregrinos que desembarcaram do Mayflower baniram o Natal em Boston de 1659 a 1681 e apenas em 1870 o 18º presidente Ulysses Grande (1822-1885) declarou o dia 25 de dezembro como feriado. O líder romano Padre Paulo Ricardo afirma que os Protestantes quase acabaram com o Natal na Inglaterra e na América Inglesa, contudo o fizeram pelas seguintes razões:
·      O dia 25 de dezembro não é o dia do nascimento do Senhor Jesus. Partindo do pressuposto de que Zacarias servia no turno de Abias (Lc 1.5. Os levitas se dividiam em 24 turnos que ministravam durante 15 dias duas vezes ao ano no templo [Veja 1Cr 24.1-19] e o turno de Abias era o oitavo turno [1Cr 24.10]) que caia no mês de Tamuz (junho e julho, quarto mês judaico [Veja Jr 39.2 e Zc 8.19]) e quando terminou seu serviço sua esposa concebeu João Batista (Lc 1.23,24). Sabendo que Jesus tem seis meses de diferença de João (Lc 1.26) o Senhor teria sido concebido no final de Tebede (dezembro e janeiro) e início de sebate (janeiro e fevereiro), nascendo no mês de etenim (setembro e outubro) quando os judeus comemoravam a festa dos tabernáculos;
·      No dia 25 de dezembro, os romanos comemoravam a festa do Deus Sol conhecida como solis invictus (sol invicto) a mando do Imperador Aureliano. Nessa data acontece no hemisfério norte o solstício de inverno (a noite mais longa do ano) e na mentalidade pagã era o próprio nascimento do sol chamada de Brumália e era realizada logo após a Saturnália (festa e honra ao deus saturno) que acontecia do dia 17 a 24 de dezembro. Essas eram festa populares entre os pagãos e tem origem desde de o Egito, onde o sol também era visto como uma divindade (deus Rá ou Ré);
·      Não há nenhuma orientação bíblica para que essa data seja comemorada (por isso os puritanos também não comemoravam a Páscoa e o Pentecostes). Os Puritanos se orientavam pelo princípio regulador do culto: “A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras” (Confissão de Fé de Westmnister XXI.1);
·      Passa a ser comemorado pela igreja a partir do século IV quando a Igreja começa a se desviar se transformado no que chamamos de Igreja Romana.
Os símbolos de natal eram igualmente repudiados, pois eram provenientes da cultura pagã:
·      A árvore de natal: os pagãos tinham o costume de enfeitas as árvores no inverno para que os espírito delas retornasse depois do inverno;
·      A guirlanda: era o ornamento próprio dos lugares de culto pagão.
Não vemos como um problema a comemoração do Natal pelos seguintes motivos:
1.)             O que a data significou no passado não é importante, mas que ele significa hoje: os pagãos só poderiam interpretar de maneira precária o solstício de inverno, pois, carentes da iluminação do Espírito, “mudaram a glória do Deus incorruptível em imagem de homem corruptível” (Rm 1.23). Contudo, nós que conhecemos a Palavra não podemos ver a revelação geral do Senhor de outra maneira a não ser contemplando seus atributos invisíveis, tal como seu eterno poder. Não estamos dizendo

Sobre essa tendência neopuritana concordamos quando o Rev. Augustus Nicodemus Lopes afirma que o transplante do puritanismo que floresceu na Inglaterra e na Escócia entre os séculos XVI e XVIII necessitam de traços históricos que não existem hoje, porém podemos com sucesso utilizar sua teologia e imitar sua piedade. O Pastor John MacArthur defende que devemos comemorar o Natal, pois Romanos 14.5-6 nos dá liberdade para celebrarmos ou não dias especiais. Portanto, comemoremos como os anjos e o pastores.

O sentido do Natal


O sentido do Natal


O Natal chegou e já nos acostumamos com as imagens peculiares de uma festa tão popular quanto mal comemorada. É, igualmente, comum que nos façamos a pergunta “clichê”: qual o verdadeiro sentido do Natal?. É uma indagação tão trivial e redundante, quando a incapacidade de respondê-la adequadamente.

Acaso o Natal se resume a figura de um velhinho afetuoso que, apesar do verão, insiste na vestimenta de inverno; enquanto se pede carrinho ou boneca do seu saco mágico só saem balinhas; viaja de renas voadoras no dia vinte e quaro de dezembro, mas chega no “Shopping” de helicóptero. Essa é a magia do Natal? Com certeza não!

Será, então, uma festa cheia de comida e bebida? Onde famílias, que o ano inteiro viveram longe, estreitam seus laços por bem ou por conveniência? Evidentemente não é esse o sentido dessa festa! Talvez sejam as luzes e os enfeites que mexam com as pessoas? Será os comerciais bem elaborados e divertidos onde se ensina como cantar a mesma canção ou comprar mesma bebida de maneiras diferentes? Obviamente não! O verdadeiro sentido do Natal é Jesus.

Não tenho aqueles pudores de rejeitar o Papai Noel e impedir que minhas filhas o vejam por medo de perderem o foco. Isso é uma questão cultural. Sei que nós, como pais, e a igreja, como família da fé, temos apontado para elas a manjedoura de Belém como a realidade mais profunda dessa comemoração. Buscar familiares e encher a barriga com galináceos e outros gêneros alimentícios só terá sentido se estivermos dispostos a nos doar nessa relação como Jesus se doou por nós na cruz (Filipenses 2.7), a natural extensão da manjedoura. Quando o Emanuel é o centro de nossas vidas tudo fica em segundo plano até a nossa própria existência.

Muitos Evangélico dirão que Jesus não nasceu no dia vinte e cinco de dezembro e isso é verdade. Dirão que essa foi a maneira da igreja cristianizar a data pagã do solis invictus, a superstição ímpia de que, no solstício de inverno, o sol, apesar de perder a luta contra as trevas, saia vigoroso, vencedor, irradiando sua luz absoluta. Mas não foi Zacarias, de forma inspirada, que comparou o Messias ao sol nascente dizendo: graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” (Lucas 1.78,79)?

Contudo não é dever contínuo da igreja recordar-se e render graças a Deus pelo fato do Senhor ter cumprido a promessa feita a nossos primeiros pais, quando falando a serpente (diabo – Apocalipse 20.2) prometeu: “porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3.15)? Há uma inimizade permanente entre os descendentes da mulher a linhagem de Sete que adoram o Senhor (Gênesis 4.26) e a linhagem de Caim que imitam a conduta diabólica, mentirosa e assassina de seu pai, o diabo (João 8.44). Essas duas sementes convivem no mesmo terreno do mundo como o joio e o trigo até o dia do juízo (Mateus 13.30).

A esperada profecia se concretizou na plenitude do tempo (Gálatas 4.4) quando os mares estavam pacificados aos portadores do Evangelho para que o singrassem sem o perigo de piratas; quando estradas partiam de Roma a todas as extensões do império e a língua grega, compreendida na maior parte do império, permitia a melhor transmissão da Santa Mensagem.

Em um momento da história a jovem Maria pronunciava seu sim, qual nos dias de outrora, quando o Espírito pairava sobre as águas, vinha sobre ela o poder do Altíssimo lha cobriam (Lucas 1.35) de tal maneira que Jesus compactuou na natureza de sua mãe que foi unida a sua natureza divina sem conversão, fusão ou confusão.

O Pai dava seu filho unigênito (João 3.16) e se agradaria em moê-lo a fim de ver o prolongamento de sua posteridade e a vontade do Senhor prosperar em suas mãos (Isaías 53.10). E sanou todos os obstáculos humanos, pois sanou as dúvidas de José (Mateus 1.24) e quando todos fecharam suas portas havia uma manjedoura de maneira que a primeira noite de natal foi vista pelos pastores, os animais e o coro dos anjos.

Lembre-se de que a sua noite de Natal pode não ser a mais luminosa aos olhos dos homens, mas você será feliz se a luz do mundo irradiar seu coração. Talvez não haja a ceia sonhada, mas será farta se o pão da vida já o tiver saciado. Pode não ter um o Papai Noel com um saco de presente nas costas, mas será maravilhosa se você entender que ganhou o maior presente de todos – a vida eterna – daquele que carregou a cruz no seu lugar. O seu Natal não precisa ser bom na perspectiva dos homens se for pleno em Jesus.

sábado, 16 de dezembro de 2017

O Suicídio

O Suicídio
“Já basta, ó Senhor; toma agora minha vida, pois não sou melhor que meus pais” (2Reis 19.4b).

Todas as pessoas vivem na expectativa de saber qual será a real consequência de suas atitudes e o reflexo que elas terão na eternidade. Nossa única opção é confiar no relato bíblico.
O suicídio é um desses temas cercados por opiniões diversas e divergentes, que, na maioria das vezes, em nada se respaldam na Palavra e em uma teologia sadia, mas na tradição católica que persistem em nossa cultura e nas ideias geralmente validadas por versículos dispersos e fora de contexto.
Portanto, o que devemos pensar a respeito de uma pessoa que se suicida? Ela perde ou não a salvação? Dentro dessa pergunta é necessário pensarmos no conceito reformado de salvação.
A fé, as boas obras e o arrependimento acompanham tanto e tão intimamente a vida daquele que é salvo que pode se acreditar que eles, de alguma maneira, promovam a nossa salvação. Todavia Paulo afirma que a fé é o instrumento de nossa justificação (Romanos 5.1), assim como as boas obras (“aquelas que Deus ordena em sua santa Palavra” CFW XVI.1) mostram que fomos salvos, mas não provocam de nossa eleição, afinal de contas fomos criados “para” (a preposição ἐπὶ epi regendo dativo transmite a ideia de espaço, tempo ou causa no sentido de estar na base, no início de algo) e não “pelas” boas obras (Efésios 2.10).
Dessa maneira, Paulo fala aos Efésios 2.8,9: “pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não vem das obras para que ninguém se glorie”. Partindo do pressuposto de que toda a verdade é verdade de Deus tomamos o conceito de suicídio advindo da sociologia. O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) define suicídio como: “todo caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo realizado pela própria vítima e que ela sabia que produziria esse resultado” (Suicídio, 2000, p.14).
Da mesma maneira, propõe três classificações de suicídios. A primeira categoria é o suicídio egoísta, ou seja, aquele em que o indivíduo tem um bom trabalho, família amigos, mas, mesmo sem nenhum motivo aparente há um afrouxamento dos laços que ligam o seu eu/ego à sociedade o que lhe subtrai completamente o sentido da vida. Esse estado de letargia que deseja a morte é o mesmo que sentiu Elias debaixo do Zimbro (2Reis 19.4). Semelhante a esse, a segunda categoria é o suicídio anômico, no qual o indivíduo perde sua a posição social, dinheiro emprego ou família e sem esse ponto de apoio não encontra meios para continuar vivendo. Essa categoria pode ser vista nos suicídios de Abimeleque (Juízes 9.54), Saul (1Samuel 31.3-6), Aitofel (2Samuel 17.23), Zinri (1Reis 16.18). Existe um grupo de pessoas que tentam ver no ato de Sansão (Juízes 16.29-31) como algo que fuja ao suicídio, como a morte de um combatente, contudo Durkheim o classificaria como suicídio altruísta, ou seja, aquele que decide morrer por um bem maior. Entretanto, apesar de Sansão ter cometido suicídio, está entre os heróis da fé (Veja Hebreus 11.32).
A Lei Moral diz: “não matarás” (Êxodo 20.13). Os puritanos da Assembleia de Westminster registraram na pergunta 69 do Breve Catecismo, que o sexto mandamento proíbe “tirar a própria vida, ou a do nosso próximo injustamente, e tudo aquilo que para isso concorre”. Nesse contexto alguns irão usar Apocalipse 22.15 para provar que os suicidas terão a segunda morte, ou seja, irão para o inferno. Contudo, à luz desse versículo, o que faremos com Davi que era homicida e adúltero, mas além de estar na mesma galeria de heróis da fé (Hebreus 11.32) era homem segundo o coração de Deus (1Samuel 13.14)?
Igualmente, devemos levar em consideração que Jesus afirmou que existe apenas um pecado sem perdão que é a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mateus 12.31), o qual, pelo contexto da conversa de Jesus com os Fariseus, é a apostasia. Haverá aqueles que utilizem esse versículo para mostrar que o suicida é um apóstata que morre em seu ímpeto de rebeldia sem se arrepender. A Confissão de Fé de Westmnister defende que o arrependimento é uma graça evangélica (XV.1), é necessário ao pecador, mas não é a causa do perdão, tampouco pode satisfazer o pecado (XV.3). Se verbalizar uma confissão como o Salmo 51 fosse imprescindível ao perdão o que se dizer das crianças que morrem na infância ou ao mentalmente incapazes? Assim como os suicidas, se foram eleitos antes da fundação do mundo (Efésios 1.4) serão salvos, se foram preordenado à morte irão ao inferno já que nossa salvação não depende de nosso arrependimento, obras ou fé, mas da graça. Nossa salvação é fruto do decreto de Deus, ou seja, dos “atos sábios, livres e santos do conselho” da vontade de Deus que servem para a sua glória e são imutáveis. (Veja CM, 12)
Não estamos de forma alguma endossando o suicídio como uma solução, assim como nenhum pecado é capaz de resolver problema algum. Todavia tentamos ser coerentes com nossos pressupostos teológicos que emanam das Escrituras. Isso não é suavizar a Palavra, tampouco adocica-la. A Bíblia não precisa ser suavizada, muito menos endurecida, mas pregada com fidelidade para que pressupostos que pareçam bons não escondam a verdade do Evangelho de tal maneira que homens sejam mais justos ou misericordiosos que nosso Senhor.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A arca de Noé e o batismo


A arca de Noé e o batismo

“Contigo estabelecerei a minha aliança ; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos” (Gênesis 6.18).


No senso comum, parece que existe uma divisão no batismo quanto a católicos e protestantes de tal maneira que aqueles batizam crianças e estes adultos e a explicação é que isso parece mais bíblico e lógico, pois a pessoa tem a possibilidade de escolher sua postura quanto a fé. Isso está tão enraizado na mente das pessoas que causa estranheza o fato da Igreja Presbiteriana, por exemplo, batizar crianças. Os incautos ficam confusos quando ao pedobatismo (batismo de crianças) como se fosse um resquício romanista.

Contudo essa prática está alicerçada em uma profunda compreensão na teologia do pacto, ou seja, “o vínculo/elo de amor, iniciado e administrado pelo Deus triúno  com sua criação, representada pelos nossos pais” (Mauro Meister).

A Confissão de Fé de Westmnister(VII.1) entende que apesar de todo ser racional dever obediência ao seu Criador, mas uma distância tão grande os separam que o homem jamais usufruiria de qualquer bem-aventurança ou recompensa sem que o Senhor de forma voluntária se condescendesse o que fez porpor meio de um pacto. O primeiro foi efetuado com Adão e foi chamado pacto das obras, no qual a vida foi prometida a Adão e a sua posteridade mediante a obediência pessoal (CFW VII.2), mas uma vez que nosso primeiro pai quebrou a aliança (Oséias 6.7) e, porque era o cabeça da humanidade, transmitiu esse estado corrompido a todos os seus descendentes (Gênesis 5.3).

Reverendo Paulo Anglada enfatiza o fato de que o Antigo e o Novo Testamentos não ensinam duas religiões diferentes, mas a igreja cristã é um galho enxertado na árvore cuja raiz é Abraão (Rm 11.13-24). Dessa maneira, assim como a circuncisão era a porta de entrada no povo de Israel e não tinha poder para salvar, tampouco que fornecia meio ou era essencial para essa finalidade, o batismo é utilizado nesses mesmos moldes. Entendamos que a circuncisão instituída em Gênesis 17.9-14 não foi capaz de salvar Ismael ou Esaú, pois a salvação é pela graça (Efésios 2.8) e, quando os gálatas recorreram a esse artifício para colaborar com a salvação Paulo enxerga como um retrocesso, uma deserção (Gálatas 1.6).

Segundo A. Hodge, Pedro (2Pedro 3.20,21) entende que o batismo é um antítipo da salvação das oito pessoas na arca (Gênesis 6.18) com as quais o Senhor empreendeu sua aliança. A tripulação da arca estava debaixo da aliança, mesmo que nem todos fossem eleitos como é o caso de Cam. Da mesma maneira, o infante é recebido na igreja, por que delas também é o Reino dos céus (Mateus 19.14), todavia, apesar de nem todas serem eleitas, estarão debaixo da aliança.